Move Along

20 mai

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Tenho uma agenda colorida de anotações importantes e prazos à cumprir. Uma pilha de livros para ler e devolver na biblioteca. Duas contas para pagar até dia 10. Um livro de 700 páginas recheado de passeios que só conheço de ouvir falar. Sono que se faz pesado em qualquer piscada das pálpebras. E só percebo que o tempo passa porque é a sétima vez que aperto play na mesma música.

Às vezes perdemos no meio do caminho o limite da rotina e do prazer. Quando vemos já são 12h, já é Natal e aquela sua priminha já pede suas roupas emprestadas e vive casos de amor que lembram sua adolescência. Me perdi no tempo e só percebi no sábado de manhã que fiquei 15 minutos acordada e ainda embaixo das cobertas, antes de ter que limpar a casa.

Queria ter tempo de descansar. E não só fisicamente, mas fazer-se leve e livre de pressões abstratamente pesadas que impregnem o contexto que vivemos em cada linha das nossas relações sociais. Apagar pensamentos e sentir o coração leve em um cenário de tons pastéis, com um chá de cereja para acompanhar, por favor. Se tiver, traga mais umas horinhas para acrescentar ao meu dia, porque 24 é pouco e não satisfaz a demanda.

Se possível, traz o kit de contradições também. Quero escolher menos distância e mais espaço; quero pouco trabalho e muita produtividade; mais espontaneidade e obediência; mais doces e menos peso; mais amor e menos crítica. Ah! Aquele que tem o bem e o mal pode até vir junto, mas é clássico demais para eu ter tempo de dar a devida atenção à isso agora.

O loop da música completou 13 voltas completas. Hora do stop. Usei horas de sono e horas do dia de amanhã. Droga! Agora só me restam 23. Mas tenho que confessar que essa primeira hora das 24 do dia é a hora propícia para reflexões em um estado de sono ideal. Pelo menos tenho como falar que gasto no mínimo uma hora por dia refletindo sobre a vida. Pareço até meio cult assim.

Só na 14ª vez percebo que a música que escutei por 2 meses inteiros de 2006 volta à tona para fazer, mais uma vez, sentido e colorir de nuvem o ambiente. Mesmo sob outra perspectiva, traz um sentimento bom e ressalta o sorriso de dentro do peito. Às vezes a gente só precisa de um tempo com nós mesmos, né? Pena que já veio e foi.

A.

 ♪ Minha trilha sonora inspiradora: The All-American Rejects – Move Along  ♪

Um conto de até mais

17 mai

[217-365D] Para um conto

Eu queria escrever o dia todo. Completar todas essas páginas que faltam do caderno e fechá-lo deixando as marcas do que me entristece na estante, juntando a poeira necessária que faz o mundo girar.

Estou presa em redes invisíveis que não sei de onde vem. Ou como me livrar delas. Ou essas são apenas metáforas que foram colocadas em minha cabeça pela Collins descrevendo a dor da Katniss em permanecer. Viva, morta, livre, presa, completa ou em pedaços. Viver ou sobreviver? Não, eu disse permanecer. Até o fim, só trilhar esse caminho reto até o final. Está vendo a linha do horizonte? Vá além. Talvez encontre uma flor amarela que a faça sorrir com o sol, ou pise em uma formiga por acidente quando todos os seus pensamentos culminam na razão da existência da paz onde todos vivem livres e em perfeita harmonia. Talvez nada disso aconteça e seu único consolo seja o ritmo dos seus pés combinando com as batidas do seu coração.

E quando e se por acaso sair da trilha, seus pés lhe levarão de volta para casa. Seu quarto, sua cama e todo o seu mundo estará a sua espera. E aquela única faixa de sol que cobre os pés da sua cama lhe trará conforto, repousando em sua pele como um cobertor. O corpo esquentará enquanto os pensamentos criarão asas, personalidade e brilho. Brincarão de fada e traçarão os mais belos planos envoltos de esperança e entusiasmo. Envolto de cores tais quais existem só em seu próprio mundo.

Acho melhor voltar. Se já criei um mundo de fadas na minha cabeça, já me dispersei o bastante para conseguir continuar com o dia. Eu só quero chegar logo em casa.

Fecho o caderno e me levanto. Acho que meus pés sabem melhor das minhas vontades do que minha cabeça tão cheia de correntes. Eles conhecem o lugar seguro. Só não previram o que iriam encontrar pelo caminho.

Um banco demarca o começo do quintal da pousada. Metade envolto nas sombras frias da mata e a outra metade irradia a luz do sol e o calor, que prefiro associar a ele do que à maior estrela do nosso universo.

O que ele está fazendo ali eu não sei, mas não resta dúvida de que está à minha espera. Passei por ele no café da manhã e já tinha planejado encerrar nossos olhares com um último abraço no final da tarde, apenas. Ou até antes, nossas famílias já estavam preparando as coisas para viajarmos. Até lá eu iria remoer todos meus desejos, palavras e sensações até a noite passada. Porque só a noite de ontem, só o que de fato aconteceu eu ia deixar vivo. O resto, desde as lágrimas da despedida às palavras e discursos que serpenteiam minha mente que insiste em imaginar finais Disney, esses eu já começara o processo de trituração. Ia ficar apenas com as cinzas que permeiam e decoram o que ocorrera. E ponto.

Mas sua aparição interrompe o processo. Em uma situação dessas, talvez seja difícil reiniciá-lo mais tarde. Com os braços encostados no joelho, ele escuta as folhas se partindo sob meus pés e vira a cabeça. ”Oi… Pensei que seria melhor esperar do que interromper seu momento de criação.” Sua cabeça aponta a câmera pendente na mão. Menti que ia tirar “fotos lá fora” para ninguém me acompanhar ou achar estranho uma menina enfiada na mata no meio da manhã. Mas tão logo entrei aqui esqueci da sua presença, peso e utilidade.

Pareço um animal assustado e ferido, parada assim no meio do nada. Meu corpo congela com a onda de nervosismo que o perpassa quando sua voz me atinge. Câmera desligada em uma mão, caderno e caneta na outra e um pé a meio caminho do chão. A cabeça grita para permanecer no mesmo lugar, mas meu corpo cede ao momento. Acho que preciso falar algo. “Obrigada.” Minha voz sai como um sussurro. Tenho que fazer melhor do que isso se quiser manter uma conversa. Essa é a minha chance, minha única chance de manter a sanidade pelos próximos dias, semanas, meses. Tenho que ser esperta para agarrá-la, então meus sábios pés me levam ao banco, o lado frio das sombras que me espera. “É mais fácil mesmo me concentrar quando estou sozinha. Não funciono muito bem sob pressão ou observação”. Torço meu rosto em sua direção no que deveria ser um sorriso. Sem sucesso.

Seu corpo gentil se volta para mim. Como eu queria que ele não fosse assim, que ele permanecesse rígido e ávido por um toque, assim como me sinto, um toque que ficasse apenas no pensamento me corroendo para sempre no abstrato do arrependimento. Deve ser por isso que sempre escolho os caras errados, não sei exatamente como lidar com gentileza. Sei ser gentil em corpos e mentes frias e sei ser fria com pessoas calorosas e gentis. Essa é a descrição exata de toda a minha personalidade previsível. Não me espanto por estar sozinha afinal.

Seu olhar encara o meu e ambos sabemos que deveríamos nos falar, pelo menos, antes da partida. Qualquer coisa fútil que sugerisse um “até logo, seu time vai perder ok?” Só que eu já lidei com isso antes e tracei um belo plano de fuga que facilmente pularia essa parte. Penso se ele fez algo parecido ou se pensou que só existia uma opção. Ele pode pensar que está sendo gentil e educado vindo até aqui para isso. Eu chamo de louco qualquer um que se coloque deliberadamente em situações como essas, porque claramente ele veio me dizer algo além de que meu time é uma droga. Mas dizem que os loucos, os corajosos e os vencedores jogam sempre no mesmo time. Talvez então seja este um jogo que eu já tenha me acostumado a perder, porque suas palavras seguintes confirmam minhas expectativas.

“Quando você me disse que nossos olhos se caçavam eu não entendi, pensei que você estava brava e pelo seu tom de voz você ia me bater”. Uma risada leve o deixa ainda mais bonito, soando com uma maturidade que contrasta com seu jeito moleque de se vestir.

“Eu não estava brava, eu estava frustrada.” Um ligeiro sorriso é arrancado dos meus lábios enquanto meu corpo afunda em uma respiração tão espontânea que vejo as nuvens se assustarem e chamarem o vento para soprá-las pra longe.

“Frustrada por quê?” E o vento obedece, trazendo o frio da mata para meu corpo que arrepia não devido a baixa temperatura, mas por causa da certeza das palavras que se formam em minha mente e que solto antes de poderem se esconder.

“Porque era verdade. Porque das outras vezes que nos encontramos foi igual, parecia que você me olhava de um jeito diferente e, mesmo sem saber se era verdade ou criação da minha mente carente, eu acreditei e alimentei meus olhos com imagens dessa arena, desse contexto”. As lembranças da esperança dessa viagem passam pela minha cabeça como um filme. Eu imaginei tantas vezes esse encontro que pensei não ser possível acontecer de um jeito já não revisto previamente. “E quando cheguei foi como se declarasse aberta a temporada. Meus olhos atiravam e sempre acertavam o alvo, que eram os seus. E eu não sei porque fiz isso, mas você despertou alguma coisa em mim que não consigo fazer voltar a dormir, sumir ou… sei lá o quê”.

O silêncio ecoa minhas palavras e por apreensão meus olhos atiram novamente, e erram. Seu corpo gentil ainda me encara, mas seus olhos guiam seu dedo que traça a linha tênue entre a sombra e a luz, meu limite de espaço, minha barreira de pensamentos e sentimentos tão bem traçada na minha frente. Sorrio com a representação tão concreta do destino que fala através de simples gestos mais uma vez.

Ele observa meu sorriso incrédulo e faz ele próprio uma tentativa de tiro, certeira. Meu jogo esquenta, meu competidor que estava tão entediantemente longe começa a dar as caras para a batalha. Pena que perdi a vontade de jogar. Quando falo, o peso da verdade me enche os olhos de lágrimas. “Desculpa. Eu gosto do jogo, do flerte, dessa coisa que nos faz pensar e repensar todos os caminhos que pegamos.” Pego sua mão na tentativa de me acalmar. Eu desejei tanto tempo poder tocá-lo livremente assim, sem jogadas planejadas. ”Eu gosto da sua voz, do jeito como se livra da vergonha se enaltecendo em brincadeiras, da maneira que guarda as coisas displicentemente no bolso, de quando sua mão procura a minha quando penso que estou sozinha e de como seu olhar penetra meu corpo me puxando para perto. Eu… desculpa.”

Falei mais do que devia. Eu dei indícios de sentimento em voz alta! Eu tenho sentimentos por ele. Céus, isso significa que todos aquelas emoções eram verdadeiras e reais e não fruto de uma mente criativa e sem lembranças. Significa que toda aquela dor e tristeza era porque eu não poderia mais ter e perseguir esse mesmo olhar que está mudo, gritando no silêncio por menos. Ele não veio até aqui para isso. Ele veio falar tchau, conseguir um jeito de ter um backup para levar adiante, ele sabe tão bem quanto eu que não tem como ficarmos juntos, somos de cidades, mundos diferentes! Onde eu estava com a cabeça? Por isso a frieza, sua besta, por situações como essa que aquela frieza toda se justifica. Porque minha gentileza é ser sincera e quando sou sincera mostro meus anseios, fico vulnerável e me torno tola.

Uma onda de raiva percorre meu corpo, seguro as lágrimas que querem cair e me levanto movida pela urgência em sair dali, em correr para meu quarto e afundar a cabeça no travesseiro até não ter mais força para pensar nisso, nele e em nós. Até me chamarem para entrar no carro e finalmente voltar pra casa.

“Ei, onde você vai?” Ele se levanta tão rápido que me pergunto se é só o reflexo do meu desespero ou se ele está realmente preocupado com o término do momento. “Você não tem que pedir desculpa por nada… Eu também te beijei, não foi?” Lentamente ele se aproximou, com seu rosto terno me olhando como se qualquer coisa que fizesse iria me fazer correr. E, bem, eu quase o fiz. “Sabe, o beijo é realmente uma ação que precisa de duas pessoas.” Meu corpo respondeu antes mesmo que tivesse chance de repensar o assunto. Quando suas mãos tocaram meus braços toda aquela raiva evaporou e um leve sorriso debochou de suas palavras por mim. Como se sentisse a segurança em se aproximar, ele me abraçou. De repente senti que precisava ser forte, uma força que aparentasse tão poderosa que até mesmo me convencesse capaz de me livrar desses pensamentos no futuro. Porque esquecer esse momento, esquecer ele, seria uma missão quase impossível. Estar com ele, tão perto, parecia tão certo que doía. Na curva do seu trapézio sussurrei seu nome e o ouvi ecoar dentro de mim, relaxando as tensões de um adeus que finalmente tomava forma com ele apertando ainda mais o abraço, fechando cada espaço entre nós com a urgência de uma última chance.

Me afastei o suficiente para lhe dar um leve beijo enquanto minha mente esclarecia. Eu senti alívio.  Meu corpo relaxou, senti meus ombros livres de um peso que nem sequer sabia da existência. Quer dizer, eu sabia porque várias vezes me peguei com falta ar, como se algo me apertasse, mas não pensei que todo esse peso ultrapassasse o limite do meu peito. Por mais estranho que pareça, alívio parecia o sentimento certo a se sentir naquele momento. Eu havia interpretado errado, a linha demarcada entre a luz sombra e luz não necessariamente representava o bom e o ruim, alegria e tristeza ou algo intransponível. Ela simplesmente significava o fim.

Nossos lábios se desencostaram e mantive os olhos fechados até recobrar a respiração. Agradeci mentalmente ao vento por me acariciar e me apontar o caminho seguinte, indicado-o com a passagem das folhas secas sob nossos pés. Abri os olhos para encontrar meu alvo tão cravejado e fechei-os novamente para receber um último beijo na testa, tão terno quanto a mira se formava em minha mente, uma última flecha cheia de nostalgia já pronta no arco. Levantei a cabeça para atirar a última flecha e quando finalmente foquei o alvo, lá estava ela, certeira junto com um sorriso.

“Boa viagem.” Simples e verdadeiro, não havia nada além disso que queria desejar, almejar ou falar. Me surpreendi com uma força muito maior do que pensei ter. O alívio de ter colocado um fim na história me deu coragem para criar outra. Que repetisse os personagens ou não, que mantivesse o contexto ou aprofundasse ainda mais a aventura, não sei. Por ora, meu final feliz estava escrito e eu iria fechar o livro sorrindo. Dei alguns passos na direção da casa, ainda olhando para minha última flecha, orgulhosa de ganhar o jogo. Se é que posso chamar isso de vitória.

“Boa viagem.” Ele repetiu, enquanto me assistia seguir levemente o caminho de volta. Mesmo quando virei deixando o sol me aquecer das sombra ainda sentia seus olhos me perseguindo. Então, em um lapso de desespero, deixei os movimentos automáticos do meu corpo posicionarem a câmera que ainda pendia em minha mão,voltei meu corpo apenas tempo suficiente para arrumar o foco.

Não me permiti olhar a foto até chegar em casa, saciada ainda com a leveza da despedida. E finalmente quando a vi, um sorriso competidor acometeu meu rosto. Lá estava sua última flecha, seus olhos não mentiam o tiro certeiro, pois mesmo aprisionado na eternidade da foto, eu podia dizer que ele me olhava fixamente com um sorriso desafiador. Ele não desistiu do jogo.

Trilogia Jogos Vorazes (S. Collins)

14 mai

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A verdade é que não consegui ler um livro de cada vez com as devidas pausas à tempo de resenhar cada livro individualmente. Então, nada mais justo do que falar dos três em conjunto, certo? Vamos lá.

Meus livros

Eu comprei meus livros pelo Submarino em agosto do ano passado, aproveitei uma ótima promoção e comprei o box por R$59,90 (até hoje ainda não vi uma promoção que os fizessem sair por menos que R$70,00 por lá). Desde então, emprestei para um amigo e ainda inseri à força na lista de livros-para-ler-nas-férias da minha prima, mas até então nem sequer entendia que raio que era a Capital da qual falava a contracapa dos livros. Por fim, mês passado eu tinha um gap na lista de leitura e resolvi pegar Jogos Vorazes para ler. Li um seguido do outro e em 15 dias terminei os 3.

Quando comprei, confesso que o fiz por saber que ele já se tinha se tornado um must read e por já ter visto o primeiro filme (quando vi, não sabia que tinha o livro). O estranho foi não saber que iria gostar tanto.

A autora

Suzanne Collins nasceu em 1962, filha de um oficial da Força Aérea americana. Estudou na Escola de Belas Artes do Alabama, graduou-se na Indiana University em Drama e Telecomunicações e obteve mestrado em Escrita Dramática pela New York University. Com um currículo desse, não foi difícil o início da sua carreira em 1991, como escritora de programas infantis, chegando a escrever diversos deles para a Nickelodeon.

Uma curiosidade: A ideia para escrever a trilogia Jogos Vorazes nasceu quando ela estava passando os canais da televisão. Em um canal, viu pessoas competindo num reality show, e em outro viu cenas gravadas na Guerra do Iraque. As duas coisas se misturaram e a trilogia começou a se formar. O mito de Teseu e o Minotauro também serviu de inspiração. A autora descreve Katniss como um “Teseu futurístico”. No mito, Atenas era obrigada a enviar 7 rapazes e 7 moças para Creta, onde eram lançados no labirinto para serem devorados pelo Minotauro. Creta era cruel e impiedosa, assim como a Capital na trilogia de Suzanne Collins. O fato de seu pai ter lutado na Guerra do Vietnã a ajudou a entender melhor sobre pobreza, fome e os efeitos da guerra. (Fonte: Distrito 13).

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A história

Jogos Vorazes permeia um contexto distópico e pós-apocalíptico constituído pela nação de Panem que se formou após a destruição da América do Norte. Um estado autoritário e controlador situado na Capital toma conta desta e dos 12 distritos que a cercam. No passado, alguns distritos incitaram um levante contra esse governo e desde então, como prova da sua autoridade, a Capital criou uma represália que seria relembrada por todos e para sempre: a cada ano os distritos são forçados a enviar dois tributos, um menino e uma menina com idade entre 12 e 18 anos, para participar dos Jogos Vorazes. Os Jogos são transmitidos por toda a Panem, portanto, seja em televisores próprios ou nos fornecidos pela capital nas praças dos distritos, todos assistem ao vivo o reality show sangrento composto basicamente por crianças e adolescentes. Como todo bom jogo, as regras são simples: os 24 tributos são colocados em uma arena temática devidamente preparada com armadilhas e controles específicos para tornarem o jogo mais “divertido” e o último que restar vivo, vence.

Katniss Everdeen é uma voluntária na arena. Ela decide participar dos Jogos por instinto quando o nome da sua irmã mais nova é escolhido no sorteio. O amor fala mais alto que qualquer coisa e nem sequer pensar ver sua frágil irmã na arena não é uma opção. Com habilidades de caça e sobrevivência adquiridos ao sustentar ilegalmente a família com a caça fora dos limites do distrito, Katniss tem chance e favoritismo no Jogo. E se não bastasse, por mais contraditório que seja com sua personalidade, ela ganha o apoio do povo. Os mistérios dessa revelação eu deixo para vocês descobrirem nos livros.

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Todos os livros são divididos em três partes. Vou apresentá-las brevemente (evitando ao máximo os spoilers, prometo).

Jogos Vorazes

“Os Tributos”: O começo. Além das apresentações formais aos personagens e ao país, é contada a história dos Jogos Vorazes e da Capital.

Os Jogos”: O jogo começa, os tributos são lançados na arena. A chacina tradicional dos Jogos acontece nesses primeiros minutos. A organização não recolhe nenhum corpo. Ouvem-se os tiros de canhão, cada um para um morto. Treze jovens restaram.

O Vencedor”: Uma atitude rebelde declara o final da 74ª edição dos Jogos. Uma simples ação que encadeia mais dos livros e um futuro inesperado para todo o país.

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Em Chamas

As Fagulhas”: Os vencedores dos jogos tem sempre maiores responsabilidades do que as propostas. Eles fazem o Tour da Vitória por todos os distritos de Panem e as consequências que levantam são um tanto mais profundas do que a vida de showbizz que assumem.

O Massacre”: Os Jogos não tem fim. Os preparativos para a 75ª edição começam e junto com eles o  o anúncio do Massacre Quaternário, edição especial dos Jogos que se realiza a cada 25 anos. Vencer uma vez os Jogos não basta para conseguir sossego, segundo a Capital.

O Inimigo”: O Massacre Quaternário ocorre. 200 páginas de um novo jogo, novas regras e um desfecho igualmente perturbador.

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Esperança

As Cinzas”:  Um novo Distrito e uma nova base para o ataque.

“O Assalto”: O resgate. A preparação para a guerra.

“A Assassina”: O final da trilogia. O final chega tão rápido quanto uma flecha. Tão surpreendente quanto um erro proposital.

Eu me segurei muito e quis falar pouquíssimo para não revelar detalhes. Deu pra ter uma ideia geral do desenrolar da história, mas o importante é: você tem que ler. Seja como ou quando for, Suzanne Collins construiu uma narrativa que te prende do primeiro ao último capítulo em um ritmo constante de leitura. Ela narra de maneira espetacular desde a convocação de um soldado às sequelas deixadas em combatentes de guerra. E não só isso, o contexto e os personagens vão te fazer eleger um Distrito favorito, um tributo favorito, um casal favorito e quando menos esperar vai estar torcendo para tudo correr bem e devorará as palavras seguintes em busca de um desfecho que acalme o frio que se instalou na sua barriga.

"Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei Aqui é o local onde sempre te amarei." (COLLINS, Suzanne. Jogos Vorazes, 2008, p. 252)

“Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei
Aqui é o local onde sempre te amarei.”
(COLLINS, Suzanne. Jogos Vorazes, 2008, p. 252)

Com certeza foi uma ótima trilogia, muito bem estruturada e que merece a fama que repercutiu. Eu, que adoro os romances e os casais apaixonados, fiquei impressionada pela forma que ela constrói o romance durante a história, marcando-o mais como um apoio emocional necessário do que o romance de adolescente que vemos por aí. Nessas páginas ele ganha proporções mais profundas e que nos fazem refletir.

No entanto, a reflexão não cabe apenas ao romance. Toda a forma com que o país de Panem é formado, governado e mantido pela exploração dos Distritos sugere críticas que passam por temáticas como: a sustentabilidade do nosso planeta, a pobreza, exploração, descaso do governo, modo de vida das pessoas e o modo com que nos relacionamos com a tecnologia e com a cultura. Collins propõe uma linha de pensamento que satiriza claramente o modo de vida das pessoas cercadas pelo luxo ou, no mínimo, por condições econômicas satisfatórias, onde elas vivem de forma fútil e são distraídas por meros aparelhos de televisão enquanto os outros que sofrem não passam de notícias esquecidas quando a tela escurece.

Para quem sabe e quer interpretar essas críticas, esta trilogia também muito nos ensina. Várias foram as vezes em que fechei o livro, após ler certos capítulos, para pensar nas correlações possíveis das relações sociais ou institucionais dos personagens com as minhas. Dizem por aí que o que falta para minha geração (os famosos ‘rebeldes sem causa’ dos anos 80/90) é basicamente algo parecido com o que se desenvolveu nessa trilogia, mas quanto a isso vamos deixar para cada um tirar sua própria conclusão.

"O que acontece em seguida não é um acidente. É muito bem-executado para ser algo espontâneo, porque acontece em total uníssono. Todas as pessoas na multidão pressionam os três dedos médios de suas mãos esquerdas contra os lábios e os estendem na minha direção. É o nosso sinal no Distrito 12..."  (COLLINS, Suzanne. Em Chamas,  2009, p. 72),

“O que acontece em seguida não é um acidente. É muito bem-executado para ser algo espontâneo, porque acontece em total uníssono. Todas as pessoas na multidão pressionam os três dedos médios de suas mãos esquerdas contra os lábios e os estendem na minha direção. É o nosso sinal no Distrito 12…”
(COLLINS, Suzanne. Em Chamas, 2009, p. 72),

# 2013: 18º, 19º e 20º

Título: Jogos Vorazes, Em Chamas e Esperança
Autor: Suzanne Collins (Site)
Editora:  Rocco
Páginas: 397, 413 e 421

Skoob: notas 5/5, 5/5 e 4/5

Para quem gosta de Jogos Vorazes o site Distrito 13 é um portal para o mundo de Panem! Vale a pena a visita. ;)

Quem quiser verificar o histórico da minha leitura, está tudo gravado lá no Skoob.

Com carinho,

A.

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