Instagram

10 ago

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No mundo moderno da correria constante, fui pega na cilada da ação justificada pelo exibicionismo. Só que não tive escolha, me peguei não produzindo fotos. Vocês não sabem como é estranho simplesmente não tirar a câmera do armário, ou fazê-lo apenas para fotos chatas de produtos no trabalho. Então sucumbi ao Instagram.

Não estou falando mal, pelo contrário! É que sou dessas pessoas quadradas que tentam ser redondas e acabam virando hexágonos (eu até consigo rodar a roda da vida, mas vou por etapas – basta imaginar uma roda em forma de hexágono). Instalei e viciei no Instagram no mesmo dia, fiz até aquele mimimi digno de app novo (abrir de tempo em tempo, mapear todos que tem, fuçar na vida da galera…).

Foi então que quis juntar uma coisa na outra: fazer fotos e agitar o Instagram. Daí surgiu mais um projeto “365 days”. Agora com as lentes do celular entrando na jogada. Vou te falar… Tem sido divertido.

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Me segue lá: @_aninhapalombo.

Quem sabe assim não nos vemos com mais frequência? ;)

Até,

A.

Não quero calar a entrelinha

9 abr

(5 on 5)

– Com licença – disse ela batendo suavemente no batente da porta já aberta da sala de aula. Todos, inclusive o Sr. Professor, olharam para a nova monitora, carne nova no pedaço – Aqui estão as cópias que pediu.

Aaaah! Olhem gente, que belo exemplo do sexo feminino. Além de linda, eficiente.

Percebem? O julgamento está nas entrelinhas. Não tinha como ela deixar essa passar, não era da sua natureza.

– Se gosta do que faço, por que não me elogia pelo meu trabalho ao invés da minha beleza? Engraçado… Estes são textos sobre a discussão de igualdade de gênero, não acha que o que você disse é um exemplo claro de um comportamento meio… errado? – Ela falou sorrindo, mas a ironia exalava dos seus poros. Os alunos se empertigaram um tiquinho.

– Ahh mas você sabe que estou brincando com você. Não vem com essa, só porque ela fez Ciências Sociais quer discutir tudo a todo momento. Toda mimimi de defender pobre, negro, índio e o caralho a quatro.

… Exato. Continua. Me chama de socialista, de hippie, de feminista. Fala que eu defendo os índios, os “pretos”, os pobres, os gays, os bandidos e filhotes abandonados na rua. Fala que eu tenho direito de ter, de ser, de falar, de andar, de comprar, de votar e usar que roupa eu bem entender. Fala pra eles que eu posso ter a profissão que eu quiser, agir do modo que tiver vontade e responder a comentários abusivos no mesmo nível. Cante essa canção de igualdade e de liberdade que quando chegar no último refrão, prometo que aplaudo de pé. 

Xiiii… Agora virou a nervosinha!

Agora sou a nervosa que se defende de comentários babacas. – O sorriso ainda era meigamente irônico, como ela conseguia? – O que aconteceu com a eficiente e a bonita? Sabe, querido Professor, você devia ensiná-los a não ter várias personalidades e defender seus ideais… Afinal, como já dizia Lenine, nós podemos ser Todas elas Juntas Num Só Ser – O rastro do seu sorriso triunfante só foi apagado pelo baque suave da porta se fechando atrás dela. Céus, que menina inspiradora.

A.

Sobre coragem

10 mar

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É preciso ter coragem para enfrentar o palco, mas é preciso de mais para ser verdadeiro consigo mesmo.

É preciso coragem para olhar, sorrir e convidar o cara da mesa ao lado para explicar o porquê de não ter escolhido o bolo de cenoura, se ele obviamente era o mais bonito da vitrine. Para ligar para aquele conhecido no meio da noite e perguntar se ele veste qualquer cor que combine com o seu batom, porque isso seria um sinal claro de que ambos deveriam deixar seus rolês para se verem em qualquer canto escuro da cidade. Para marchar decidida e parar descaradamente na frente da única pessoa que realmente parece não se importar com o que usar na balada e dizer “eu queria estar com o seu moletom, parece extremamente confortável”.

É preciso de mais coragem para dizer que não me importo, que não te suporto, que não te espero, não te quero e que adoeço porque não te esqueço. Coragem para assumir que te stalkeio um pouco, em doses espaçadas durante o dia todo; que vejo suas fotos e suspiro com as lembranças do seu toque, do seu beijo e do seu olhar; que imagino onde está, o que faz e o que eu faria se, sem querer, esbarrasse em você no meio do supermercado. É preciso coragem para frear todos os impulsos e as justificativas que invento pra te ligar, te mandar mensagem ou simplesmente ver se você está online.

Mas é preciso de coragem ainda maior para ver que tudo isso não existe. Coragem para assumir que me apoio em você para fugir de mim. Olho nos seus olhos porque não consigo me olhar no espelho. Busco seu carinho para não ter tempo de olhar pro lado e ver que estou sozinha. Busco seu sorriso e suas histórias por medo de perceber que na minha vida faltam tais coisas por falta de prática, de vontade ou de sonho.

É preciso coragem para se aproximar, para me afastar e para sentir; coragem para me perder e ainda mais coragem para me encontrar.

Quanta coragem, pequenina.

A.

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