Quanto tempo se espera por alguém?

20 nov

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Eu te esperei. Esperei sua resposta, sua vontade ou qualquer indício de que aquela noite tinha sido especial pra você também. E quando você não me respondeu mais, não me ligou, nem perguntou de mim… eu desisti. Sua trouxa, isso é pra aprender a ser mais sensata, não se apaixonar tão facilmente e não se envolver. Agora sai do conto de fadas e volta pra realidade.

Sabe, há um tênue limite entre se jogar no desconhecido e virar as costas e correr. As vantagens de se jogar você não tem como mensurar: é impulso, é vontade, é pular sorrindo, sentir a queda e lidar com as consequências depois. Quando você corre… o que sobra, além do que você já tem, é a ideia d0 que você poderia ter tido – o que não é muito mais legal. Quando você finalmente se sente segura, recupera o fôlego e olha de longe pro lugar onde estava… só então se consola com as coisas horríveis que poderiam ter acontecido: eu poderia ter me envolvido, vivido os altos e baixos de cada mensagem não respondida, surtar toda vez que você me chamasse, lidar com cada toque, beijo e sentimento que viesse. Eu poderia sentir tanta coisa! Como lidar com todo esse fluxo de sentimentos junto com o trabalho, a minha vida e o meu cachorro? Será que seria bom? Será que era o que eu precisava?

No momento, acho que não era o que eu precisava. Eu tentei te chamar pra sair, forcei um café, um lanche ou uma bebida e só obtive ‘não’ como resposta. Cansei e bem sei que te mandei uma mensagem falando exatamente isso: “tentei, cansei de tentar e desisti”. Até hoje eu pensei que tinha simplesmente desistido. Porém, olhando pra trás, percebi que não foi uma desistência… Eu fugi. Fugi no último momento, corri de volta pro meu mundo, onde eu conseguiria manter o orgulho e não precisaria ir atrás de alguém. Veja bem, eu estava aprendendo a gostar de mim, a viver comigo, a ser completa sozinha e fazer todo o processo de reconhecer um eu que se perdeu no meio do próprio caminho. Como podia me permitir buscar a felicidade no outro? Era um momento meu. Então usei toda a minha habilidade de ser chata e dura nas minhas decisões: Fiz força pra deixar tudo como uma feliz lembrança. Como naqueles filmes que você vive uma experiência linda e depois volta nela pra recordar com sorriso no rosto, um chá na mão e um livro esquecido no colo? Assim. Ia ser uma feliz lembrança. Ponto.

Mas eu não esperava que você iria reaparecer. Não pensei que ia te encontrar numa festa qualquer, sem preparação, sem encenação e sem espaço pra correr. Foi muito rápido, quando me dei conta você já estava na minha frente, recusando a bebida que eu oferecia. E sinceramente? Naquele momento não pensei em fugir. Não pensei em como agir, não pensei no que falar e não sei nem se consegui absorver direito a cor da blusa que você usava. Foi sem pensar que refleti seu sorriso, segui seus olhos e me encaixei nos seus braços prontos para me abraçar.

Afinal, acho que foi você que me esperou. Obrigada pela paciência.

 

Réplica (porque ela também quer contar)

23 set

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“PRIMEIRO DE TUDÃO que eu vou te falar: abrir o bloco de notas do windows pra escrever um post/email/mensagem foi uma das coisas mais nostálgicas desses últimos tempos, sério. Queria que te tivesse um Linkin Park de fundo. VAI TER NA VERDADE.

E você lembra também muuuito lá atrás quando eu falava que algumas vezes no meio do post parecia mais fácil escrever inglês? Tá voltando de novo. É bom quando você percebe que algumas coisas ficam meio que entre você e o tempo, né? Outra coisa que não mudou foi esse meu dom de enrolar sentenças e sentenças e ter que diminuir tudo depois porque é muita enrolação. Enfim, JÁ FAZ UM FCKNG MÊS que eu to aqui. Essa hora a um mês atrás (aí no Brasil, essa hora) a gente tava no onibus pra São Paulo e nossa foi muito ruim de despedidas. Muito. E o vôo e a África. Muito ruim de despedidas. E aí que veio Londres e eu queria grudar a cabeça na janela do ônibus vindo pra Brighton e ver tudo de uma vez, mas as 25 horas de viagem me deram um overload de informação e eu acordei com um inglês beeeem carinha inglesa me olhando como se eu tivesse algum problema.

Nessas 4 semanas até agora aconteceram muitas e muitas e muitas coisas. Eu nem sei o que te contar delas, só que Brighton é um paraisinho. E aquele esquema que eu te falei antes (acho) de ter um pub em cada esquina não é exagero. E inclusive é assim com cafés também. E AAAAH OS CAFÉS. Eram exaaaatamente esses que faltavam aí quando a gente precisava.

Pular de quarto em quarto pelo Airbnb até terça passada não foi muito legal. No começo foi tranquilo porque tudo era meio “férias” e a gente queria conhecer tudo ao mesmo tempo, mas daí as férias tiveram que acabar eventualmente e a falta de ter um lugar realmente seu começou a bater… tava uma loucura. Mas em meio a isso veio LONDON BABY e foi maravilhoso.

Durante o trem, eu só conseguia lembrar de quando a gente tinha 14 anos e eu me imaginava morando no Reino Unido e ficava vendo as ruas pelo Google, os pontos históricos, a história, os pontos turísticos,… como se um dia eu realmente fosse morar no Reino Unido. E nessa hora que eu simplesmente não via nada pela janela e via tudo ao mesmo tempo. Há 10 anos atrás era tudo que eu queria e eu achava que isso era só um resultado da minha obsessão nos Harrys da vida. Bom, acho que não era só pelos Harrys, e eu sou muito sortuda.

Londres é uma loucura. E tem MUITA coisa pra ver/fazer/sentir/tocar/amar. Inclusive a rainha em meios a esses verbos, mas eu não tive essa oportunidade. Ainda.

Depois dos dias de Londres eu comecei a criar uma imagem de lá como se fosse uma amostra do mundo. O inglês é uma ferramenta, como se alguem tivesse clicado em algum lugar e escolhido como língua padrão mas por todos os lados você acaba se deparando com outras configurações, sabe?

E os museus. Caçamos tudo que era de graça em Londres e por todos os céus, a maioria dos museus são. O museu da ciência é absurdamente enlouquecedor. Foi 1 dia e meio pra ver ele inteiro e até agora aparecem algumas imagens na minha cabeça como se eu ainda tivesse pensando nelas.

O Buckingham Palace, o Big Ben, a Abbey Road e a Kings Cross Station me tiraram um pedacinho de alma porque nossa… que sensação. Parece filme. E parece imaginação. E parece que eu tava sentada na frente do computador a 10 anos atrás.

Agora de tudo, desconsiderando meus momentos de fan girl por aí, o mais impressionante foi o museu Churchill War Rooms (que não foi de graça). Esse museu na verdade era o lugar que o Churchill meio que “se escondia” durante a Segunda Guerra enquanto decidia os passos da Inglaterra e enquanto rolava bomba lá fora. Aqui fora. Você sai de lá como se tivesse tomado um soco de história na cara e que provavelmente vai deixar uma cicatriz bem demorada. E te traz umas emoções sabe? E nem sei como explicar o porquê.

Londres foi o ponto definitivo e final das “férias”. Agora já estamos contando dinheiro e eu já to caçando emprego na rua. E literalmente caçando porque já até esqueci em quantos e em quais lugares eu deixei meu curriculo na cara de pau assim, sem ter placa nem nada de “staff wanted” na porta. Isso tem tomado a maior parte do meu tempo porque, apesar de querer qualquer emprego por agora, eu ainda preciso dominar o mundo e por mais que eu não duvide de uma posição tipo garçonete, acho que pra mim não vai ser um lugar que vai alavancar esse meu objetivo. Então além dos part-time, waitress, e coisas do tipo eu tenho ido atrás da física dentro de mim (aplicada no mercado, claro). O bere já tem ficado na Universidade e LÁ É MARAVILHOSO E ME DEU INVEJA DE NÃO ESTUDAR. Entendo total a sua crisa de estudo porque sinto que estou na beira de uma e dessa vez não vai ser legal. Assim, sem dinheiro e sem emprego. Eu achava que o problema era estudar, mas o problema era o lugar, sabe? Não a USP em si, mas é preciso que aconteçam mudanças drásticas de vez em quando. E não to querendo dizer que quero fazer doutorado, mas digo assim, já não me dá ansia em pensar em estudar/defender/pesquisar.

A cerveja é MUITO boa e barata. A carne é cara e os cortes são diferentes. O transporte funciona absurdamente bem e dá vontade de mudar as coisas aí. Aqui você anda na rua a noite sem medo sabe?

E O NATAL TÁ CHEGANDO.

E vou parar por aqui.

Cheers,

Mi.”

A Mi me respondeu o post anterior… Via post. Nós tínhamos essa bela mania de conversar por cartas virtuais anos atrás e quando ela se mudou pra terra da rainha pensei “por que não voltar?”. Seja bem-vinda de volta, Mi. :)

Mi, eu quero te contar…

20 set

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Quero contar que vim escrever de forma bonita porque não sei mais como parar o tempo e responder mensagens, ainda mais naqueles teclados minúsculos de celular que nunca vão conseguir substituir conversas que se passam sob a sombra das árvores, olhando um céu azul e as folhas dançarem ao vento. Falando nisso, esses dias fui na USP. Caminhei tranquila passando pelo seu território para comprar um covite de uma festa no CAASO. Sabia que estavam arrumando o palquinho para umas bandas tocarem? Em pleno almoço! Como eu estava com tempo, aproveitei o AC/DC clássico do pré palquinho, deitei nos bancos ali na pracinha e fiz o que sempre fazíamos: olhando as folhas dançarem no vento, escutei conversas, pensei em teorias mirabolantes ou relembrei histórias de conhecidos que tinham grande potencial para se tornarem boas fofocas para te contar.

Quero contar que fui nessa festa louca ontem e estava tudo muito… louco. A festa foi em uma republica perto do finado Varanda, daquelas em que se abre a casa e deixa tanta gente entrar que tudo parece uma grande suruba. Igual aqelas de filme norte americano, sabe? Olha só, nunca parei para pensar na semelhança da vida universitária aqui e lá… Enfim. As partes externas da casa continham bares, então era tudo uma aglomeração de conversas, cigarros, bebidas e alegria; dentro da casa era tudo um grande forno (em pleno inverno, o calor nos assombra no melhor estilo brasileiro): pessoas dançado em mesas, pessoas com pouca roupa, pessoas loucas, pessoas fritas e pessoas loucas muito fritadas com pouca roupa dançando em mesas. Sabe como é, pura alegria com vodka. Ou pura vodka com alegria. Mentira, era com refri.

Quero contar que hoje, pleno domingo, acordei cedo para trabalhar. Peguei uns design aqui e ali, lembra? Então tenho isso no topo da lista de afazeres, o pequeno problema é que dia desses tive uma daquelas crises que você para e pensa “eu não estou estudando!”. Provavelmente você ainda não teve esse tipo de crise porque estava no mestrado e bem… você não parou de estudar. Mas Mi, tive essa crise já umas duas vezes… É que quando a gente só trabalha, das 8h as 18h, não sobra tempo para “estimular” a mente. Então parece que definho, fico lerda, que todos sabem coisas que eu não sei… Juro, parece até que falo errado. Uma nóia, eu sei, mas ela vem e fica até eu tomar uma atitude. Foi por causa dessa nóia que decidi fazer um curso, achei um no SENAC e agora preenchi minhas terças e quintas das 19h as 22h. Segunda, quarta e sexta continuam com o Muay thai. Semana passa na correria e quando chega sexta, tudo o que quero é dormir um pouquinho.

Quero falar que preciso do seu endereço UK. Além dos e-mails, quero mandar coisas, receber coisas (não esquece das minhas encomendas, por favor), criar laços que vão além (acho que essa é a definição da internet, mas vamos extrapolar o virtual e criar tudo isso na raça ao preencher os campos “remetente” e “destinatário”). Olha que legal, se um dia tiver que fazer surpresas de aniversário para sua família, me manda os presentes e eu os deixo na sua casa. Me usa de ponte. Aliás, vou ver se visito sua mãe.

Quero pedir que me conte milhões de coisas novas, que brinque de RPG e descreva o dia a dia seu e do Bez da mesma forma que fazíamos. Quero saber a cor das folhas, como organizou sua cozinha, o que você faz as 15:30 da tarde, se continua com aquele cafézin pós almoço e se criou um novo costume de sentar no parque embaixo de árvores com uma tanga na bunda e ler livros de chapéu. Ou sejam lá quais são os costume dos ingleses, porque né… Agora vocês está nesse gueto aí, se misture.

Quero falar que essa é uma carta aberta de convite à interação. A necessidade de escrever voltou e sinto que ter um blog pode te ajudar, além de satisfazer minhas dúvidas, curiosidades e a saudade. Vem escrever por aqui?

Aguardo notícias da terra da rainha,

A.

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