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Mi, eu quero te contar…

20 set

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Quero contar que vim escrever de forma bonita porque não sei mais como parar o tempo e responder mensagens, ainda mais naqueles teclados minúsculos de celular que nunca vão conseguir substituir conversas que se passam sob a sombra das árvores, olhando um céu azul e as folhas dançarem ao vento. Falando nisso, esses dias fui na USP. Caminhei tranquila passando pelo seu território para comprar um covite de uma festa no CAASO. Sabia que estavam arrumando o palquinho para umas bandas tocarem? Em pleno almoço! Como eu estava com tempo, aproveitei o AC/DC clássico do pré palquinho, deitei nos bancos ali na pracinha e fiz o que sempre fazíamos: olhando as folhas dançarem no vento, escutei conversas, pensei em teorias mirabolantes ou relembrei histórias de conhecidos que tinham grande potencial para se tornarem boas fofocas para te contar.

Quero contar que fui nessa festa louca ontem e estava tudo muito… louco. A festa foi em uma republica perto do finado Varanda, daquelas em que se abre a casa e deixa tanta gente entrar que tudo parece uma grande suruba. Igual aqelas de filme norte americano, sabe? Olha só, nunca parei para pensar na semelhança da vida universitária aqui e lá… Enfim. As partes externas da casa continham bares, então era tudo uma aglomeração de conversas, cigarros, bebidas e alegria; dentro da casa era tudo um grande forno (em pleno inverno, o calor nos assombra no melhor estilo brasileiro): pessoas dançado em mesas, pessoas com pouca roupa, pessoas loucas, pessoas fritas e pessoas loucas muito fritadas com pouca roupa dançando em mesas. Sabe como é, pura alegria com vodka. Ou pura vodka com alegria. Mentira, era com refri.

Quero contar que hoje, pleno domingo, acordei cedo para trabalhar. Peguei uns design aqui e ali, lembra? Então tenho isso no topo da lista de afazeres, o pequeno problema é que dia desses tive uma daquelas crises que você para e pensa “eu não estou estudando!”. Provavelmente você ainda não teve esse tipo de crise porque estava no mestrado e bem… você não parou de estudar. Mas Mi, tive essa crise já umas duas vezes… É que quando a gente só trabalha, das 8h as 18h, não sobra tempo para “estimular” a mente. Então parece que definho, fico lerda, que todos sabem coisas que eu não sei… Juro, parece até que falo errado. Uma nóia, eu sei, mas ela vem e fica até eu tomar uma atitude. Foi por causa dessa nóia que decidi fazer um curso, achei um no SENAC e agora preenchi minhas terças e quintas das 19h as 22h. Segunda, quarta e sexta continuam com o Muay thai. Semana passa na correria e quando chega sexta, tudo o que quero é dormir um pouquinho.

Quero falar que preciso do seu endereço UK. Além dos e-mails, quero mandar coisas, receber coisas (não esquece das minhas encomendas, por favor), criar laços que vão além (acho que essa é a definição da internet, mas vamos extrapolar o virtual e criar tudo isso na raça ao preencher os campos “remetente” e “destinatário”). Olha que legal, se um dia tiver que fazer surpresas de aniversário para sua família, me manda os presentes e eu os deixo na sua casa. Me usa de ponte. Aliás, vou ver se visito sua mãe.

Quero pedir que me conte milhões de coisas novas, que brinque de RPG e descreva o dia a dia seu e do Bez da mesma forma que fazíamos. Quero saber a cor das folhas, como organizou sua cozinha, o que você faz as 15:30 da tarde, se continua com aquele cafézin pós almoço e se criou um novo costume de sentar no parque embaixo de árvores com uma tanga na bunda e ler livros de chapéu. Ou sejam lá quais são os costume dos ingleses, porque né… Agora vocês está nesse gueto aí, se misture.

Quero falar que essa é uma carta aberta de convite à interação. A necessidade de escrever voltou e sinto que ter um blog pode te ajudar, além de satisfazer minhas dúvidas, curiosidades e a saudade. Vem escrever por aqui?

Aguardo notícias da terra da rainha,

A.

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Pelo poder de não expressão

10 set

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Terça de manhã fiz meu ritual: acordei, coloquei música, arrumei o quarto, me troquei e fui tomar café com palavras cruzadas como adoçante. Meu pai veio me perguntar se eu tinha visto a foto que ele mandou no dia anterior e comentei que vi sim, estava linda, mamãe feliz toda trabalhada na pose né.
Peguei minhas coisas e fui pro trabalho. cheguei antes, como de costume, para aproveitar uns minutos de paz e organizar a agenda. Liguei o computador, abri e-mail e o skype. Recebi uma mensagem gigante de uma colega do trabalho, dizendo que estava chateada comigo pois  recusei dar carona pra ela. Céu, como isso? Eu saí mais cedo ontem, não tinha visto a mensagem dela, me perdoa.
Na hora do almoço, liguei o wifi para ver as notificações. Sim, estamos em 2015 e eu desligo o wifi durante o trabalho para não me distrair dos afazeres. Eu poderia colocar o celular no silencioso, mas ele pisca. Eu posso guardá-lo na gaveta, mas eu sei que ele pode piscar… De qualquer forma, liguei e recebi uma mensagem do meu irmão perguntando se eu tinha visto a mensagem que ele mandou de manhã. Sim, eu vi, só não respondi ainda, mas está tudo bem, depois eu deposito, obrigada.
Depois do trabalho fui direto para o treino e minha amiga perguntou se eu vi a mensagem que ela deixou perguntando o número do pedreiro. Puts, esqueci de pegar! Mas vi a mensagem, hoje a noite te mando. Cheguei em casa cansada pós treino, tomei banho, fui jantar. Aproveitei para ver novamente as notificações do celular e então fui responder a mensagem que recebi na sexta-feira: “Bruna, desculpa! Saí sem o 3G ligado, mas você devia ter ido ao teatro, foi lindo!”/”Nina, me perdoa, mas não pude ir no palquinho quinta… Trabalho sexta de manhã, fica foda. Mal não responder antes.”/”Le, eu vi sua mensagem. Eu te ajudo, eu te amo. Me manda todas essas ideias por e-mail? Esses áudios me deixam louca”/”Mi, como está London, baby?”/”Amora, eu não pude ir tomar café no domingo, estava em Patrimônio. Podemos marcar nesse fim de semana?”/”Jão, teve GIG sábado, véi! Avisa antes”. E a lista continua.
As desculpas já fazem parte da rotina. Mas vejam bem, não faço por mal… e não gosto que seja assim. Eu respondo quando posso, quando quero, quando tenho tempo livre pra responder as banalidades. Do contrário, faço outras coisas. Gosto de parar e ficar relembrando o jeito que ele segurou minha mão, de tomar chá e ler com os pés enfiados debaixo da almofada, de escutar o som da chuva e imaginar uma história mirabolante de como as formigas estão desviando dos asteroides formados pelas gotas. Eu fico tanto tempo plugada na internet, nas cobranças, nos afazeres… Que no meu tempo livre, não quero isso. Quero só… viver.
Então, da minha parte, peço apenas que não me espere. Por favor, não espere os riscos azuis. Não estou negando o role, a ideia, o combinado. Quando tenho que responder, o farei. Se combinarmos algo, estarei lá. Se não aparecer, pode ter certeza que não marquei na agenda ou achei mais legal ver um filme, confesso. Mas de vez em quando… deixe estar. É só meu jeitinho. Não brigue comigo, não me cobre… Me entenda. Passamos tanto tempo tendo que fazer coisas, ver pessoas, montar projetos, ler artigos, ver filmes, participar de discussões… Para. Respira. Escuta. Respira. Olha. Oi. Vem cá… aquela nuvem não parece um lagarto?

Não quero calar a entrelinha

9 abr

(5 on 5)

– Com licença – disse ela batendo suavemente no batente da porta já aberta da sala de aula. Todos, inclusive o Sr. Professor, olharam para a nova monitora, carne nova no pedaço – Aqui estão as cópias que pediu.

Aaaah! Olhem gente, que belo exemplo do sexo feminino. Além de linda, eficiente.

Percebem? O julgamento está nas entrelinhas. Não tinha como ela deixar essa passar, não era da sua natureza.

– Se gosta do que faço, por que não me elogia pelo meu trabalho ao invés da minha beleza? Engraçado… Estes são textos sobre a discussão de igualdade de gênero, não acha que o que você disse é um exemplo claro de um comportamento meio… errado? – Ela falou sorrindo, mas a ironia exalava dos seus poros. Os alunos se empertigaram um tiquinho.

– Ahh mas você sabe que estou brincando com você. Não vem com essa, só porque ela fez Ciências Sociais quer discutir tudo a todo momento. Toda mimimi de defender pobre, negro, índio e o caralho a quatro.

… Exato. Continua. Me chama de socialista, de hippie, de feminista. Fala que eu defendo os índios, os “pretos”, os pobres, os gays, os bandidos e filhotes abandonados na rua. Fala que eu tenho direito de ter, de ser, de falar, de andar, de comprar, de votar e usar que roupa eu bem entender. Fala pra eles que eu posso ter a profissão que eu quiser, agir do modo que tiver vontade e responder a comentários abusivos no mesmo nível. Cante essa canção de igualdade e de liberdade que quando chegar no último refrão, prometo que aplaudo de pé. 

Xiiii… Agora virou a nervosinha!

Agora sou a nervosa que se defende de comentários babacas. – O sorriso ainda era meigamente irônico, como ela conseguia? – O que aconteceu com a eficiente e a bonita? Sabe, querido Professor, você devia ensiná-los a não ter várias personalidades e defender seus ideais… Afinal, como já dizia Lenine, nós podemos ser Todas elas Juntas Num Só Ser – O rastro do seu sorriso triunfante só foi apagado pelo baque suave da porta se fechando atrás dela. Céus, que menina inspiradora.

A.