Viagem ao centro da Terra (J. Verne)

18 maio

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Et quacumque viam dederit fortuna sequamur. Que cada um siga o caminho que sua fortuna lhe fornece.

Eu nunca tinha lido Júlio Verne. Por ser um escritor que produziu grande parte da sua obra no final do século XIX, sempre achei que seria arcaico, com firulas demasiadas e um jeito de escrever que não fluiria. Logo, sempre classifiquei-o como um livro para ler “mais pra frente” – o clássico”depois” ou “outra hora”, o que significa quando tiver tempo e paciência para trocar histórias banais e envolventes por palavras densas que compõe tramas complexas de difícil compreensão, ou seja, quando o dia-a-dia possibilitar que pensamentos profundos e solitários habitem sua cabeça com exclusividade.

Toda essa situação propícia é rara de acontecer, como todos devem saber. Mas então o que me fez mudar de ideia e abrir um livro tão bonito quanto este? Bem, primeiro sua aparição repentina na minha casa. Sim, ele apareceu sem aviso prévio. Minha prima emprestou-o de um amigo e quando foi devolver, o amigo jurava que esse livro não era dele (mesmo tendo seu nome assinado, o que acho que nenhum dos dois verificou). Minha prima voltou com o livro pra casa e então me deu. Disse que, já que eu empresto tantos livros, talvez na minha estante ele fosse mais feliz e lido por mais pessoas. Oun. :). Eis então que, uns dias atrás, minha colega de apartamento disse que estava lendo Julio Verne e me convenceu a finalmente tirá-lo da estante para conhecer sua aventura tão emocionante…

E a primeira desconstrução do meu pré-julgamento ocorreu com seu jeito de escrever. Um jeito claro, dinâmico e de fácil compreensão que me espantou. Mesmo lidando com tantos termos técnicos (alguém mais já comparou o Professor Lidenbrock com o Sheldon?), ele constrói os diálogos e os pensamentos do personagem de forma simples, que nos faz aproveitar as informações e assimilá-las para acompanhar o raciocínio. Que, convenhamos, é bem maluco.

O título do livro já diz tudo. Sim, eles farão uma viagem ao centro da terra. Mas o que encontrarão e as aventuras que irão enfrentar eu nunca imaginaria de tal forma. Agora entendo porque dizem que Verne foi o precursor do gênero de ficção científica. Sua lábia francesa, consumida por uma imaginação literária  sensibilizada por temas político-sociais que valorizam a importância da ciência e da tecnologia me mostraram que há muito ainda para eu conhecer na minha própria imaginação. Vejam bem, o limite da imaginação é… espera, será que tem que existir um?

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Minha dica é essa: não julguem um livro pela capa, não julguem um autor pela sua idade e tampouco uma aventura por sua trama. ;)

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Uma resposta to “Viagem ao centro da Terra (J. Verne)”

  1. regina 23 de junho de 2014 às 12:03 pm #

    Eu julgaria esse livro fácil pela capa, A. Que capa maravilhosa é essa?! Amo! Estou começando um coleção de livros nesse “estilinho” antigo (comprei recentimete alguns títulos da Barnes & Noble da coleção de clássicos, já viu? são muitoooo amor). Me conta qual a editora!!! Por favor….
    Outro ponto, amo livros que eu tenho que ler com o Aurélio do lado… ehehehhe
    Estou lendo, José Saramargo, Ensaio Sobre a cegueira… e meu! que loucura é aquele livro…. A escrita é algo assim que nunca vi igual na vida. Me tirou do conforto do que estava a acostumada a ler! Parágrafos imensos (pasme, de 50 a 60 linhas), pontuação estranha (ele não usa travessões nos diálogos, interrogações, exclações…). E sem contar a história intensa. Visceral. Ele ele não “toca” na ferida… ele joga álcool etílico! rs
    Estou amando a leitura!

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