Franny and Zooey (J.D. Salinger)

27 abr

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Mais uma vez me peguei agarrando um livro ao passar os olhos pelas estantes da livraria. Não consigo descrever o prazer que sinto em fazer isso. Assim como sinto prazer em ter uma boa conversa, tranquila, com quem quero conversar, com quem gosto de conversar. E esse livro é isso: uma boa conversa.

Ás vezes nós nos apoiamos nas palavras do outro para formar opinião. Ás vezes achamos as palavras e ações do outro tão ridículas que nos sentimos no direito de julgá-las, mudá-las, moldá-las ao que nós achamos, ao nosso padrão de certo e errado. Eu sou uma dessas pessoas, infelizmente. Minha teimosia põe a prova os gostos dos outros e muitas vezes limitou minhas convivências e, claro, refletiu meu respeito ao próximo. Tive que terminar uma faculdade e receber palavras fortes e diretas para enfim perceber quão ridícula agia. Quão desrespeitoso meu discurso sobre respeito estava sendo. Precisei de algumas boas conversas para moldar o que sou hoje. Ok, e o que isso tem a ver com o livro? Vamos lá.

Salinger cria belos personagens, para quem gosta do seu estilo – Para quem não gosta, apenas afirmemos que são personagens muito bem construídos. Tomemos por exemplo as pessoas que leram “O Apanhador no campo de centeio”, elas se dividem em quem gostou e quem não gostou do Holden. Sou parte do time Love-Holden, mas prometo não puxar o saco de ninguém, ok? Quero recomendar este livro de forma sincera.

Nesse livro, os personagens são igualmente intensos. Vejam bem, com personagens tão complexos e que possibilitam tantos níveis de interpretação, como enfeitar a história com uma trama brilhante? Exato. Neste livro, não lidamos com uma história cheia de acontecimentos, mudanças e reviravoltas. Lidamos com um passado, um presente e a busca por um futuro. Lidamos com diálogos, simples diálogos entre mãe e filho, irmãos e namorados. Diálogos que nos possibilitam analisar e fazer conexões de identificação com os personagens pelo caminho inverso: a descrição você quem faz, analisando os gestos, o modo de falar, o jeito de abordar um assunto ou as expressões que sucedem uma resposta. É isso, esse é o poder do livro. Logo, pode te levar por uma grande aventura no coração do lago das interpretações, ou apenas por um caminho simplista ao seu redor. A escolha é sua.

O livro é, na verdade, a junção de duas histórias publicadas na revista The New Yorker: “Franny” em 1955 e “Zooey” em 1957. Estes são os caçulas da família Glass, família que tem também papel central no outro livro de Salinger, intitulado “Raise High the Roof Beam, Carpenters” e “Seymour: An Introduction” (“Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira” e “Seymour, uma Introdução”) – livro que também reúne duas histórias publicadas na revista, e que pretendo adquirir em breve, by the way.

As histórias de Franny e de Zooey se casam ao debaterem, através de diálogos, a filosofia de vida de cada um dos irmãos e por discutirem sobre ceticismo, fé, comportamento e paz interior. Ambos tem um passado conturbado pela perda de dois dos sete filhos que compõe a família e, para ajudar, ambos andaram lendo um dos livros que encontraram no quarto antigo do seu irmão… E este livro abalou tudo o que sabiam sobre fé, sobre os outros e sobre si mesmos.

Só mais uma coisa: e ele (o livro) tem grandes sacadas, grandes frases e citações que te fazem parar, sorrir e dizer “é assim mesmo!”. Eu, lendo novamente minhas marcações, tive essas reações tudo de novo. Que prazer ter um bom livro em mãos, um que possa satisfazer tanto quanto uma boa conversa.

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Com carinho,

A.

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