Boa noite

12 mar

[210-365D] Lipstick

Terminei de ver “Um Dia”, o filme do qual tanto fugi (por medo de estragar a história do livro que tanto gostei). No final, não aguentei segurar meu emocional. Sabe, quando toca a última música dos créditos (coisa que muitos não percebem, mas geralmente eles – os caras de Hollywood – usam duas músicas para o final para você ter chance de ler os tais créditos mas, para mim, é uma chance a mais para ficar encarando a tela e pensando sobre o filme) eu entro em um estado emocional especial. Ao menos quando o filme é bom, eu gosto e/ou a música toca de um jeito diferente, arrematando a história com delicadeza. Por falar nisso, obrigada por sempre esperar comigo, enquanto todas as pessoas saem do cinema, só para escutarmos a música até o fim.

Acho que por essa você não esperava, não é? Uma carta. Não se assuste, não vim relatar histórias ou acontecimentos marcantes, como acontece nas novelas e filmes por aí. Na verdade, não vim dizer nada de interessante. No filme a Emma usa as cartas para contar sua rotina, seu dia-a-dia, anseios e novidades… Sabe como é, coisas pelas quais valiam a pena mandar cartas longas antigamente. Eu não tenho nada de extraordinário para contar-lhe que já não tenha dito. Só sinto sua falta. Isso conta como notícia extraordinária? Sabe, acho que a saudade foi a grande motivação de todo o sistema logístico dos correios, sejam eles com pombos, atravessando guerras à cavalo, secando saliva em selos ou passando frio nos dedos ao digitar e-mails infinitos na madrugada. Sem a saudade, metade disso não aconteceria. Uma teoria arriscada, eu sei, porém com suas verdades. Igual quando dizem que o frio deixa as pessoas mais elegantes, a saudade deixa nossas ações mais românticas, nossas palavras mais poéticas e nosso coração com memória fotográfica.

Na verdade, está tarde e preciso dormir. Amanhã vou entrar mais cedo, mas não consegui apagar a vontade de te escrever. Já te escrevi cartas antes, sabia? Estão todas guardadas no fundo da gaveta, não enviei nenhuma. Esse era um segredo que pensei manter comigo, não me pergunte o porquê. Talvez seja porque a maioria delas eu escrevi quando brigamos e eu queria dizer sentimentos. Isso, dizer sentimentos. A arte da escrita que mais me cativa é a que me salva: a expressão do que incrivelmente não pode ser dito. Prefiro falar com os olhos e as palavras, antes do que com a boca. Você bem sabe que sou péssima até para explicar o caminho, quem dirá explicar matéria, teorias ou sentimentos. Espero que você já conheça os meus, ou pelo menos conheça suas histórias… Acho que já percebeu que ilumino quando você chega, que crio lágrimas quando começo a pensar em me despedir, que vejo arco-íris quando penso em um futuro com você presente e que te dou boa noite sempre, porque você é a pessoa que visita meus pensamentos todo dia antes de dormir. Igual hoje.

Boa noite,

A.

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