O Fotógrafo (Guibert, Lefèvre, Lemercier)

24 fev

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Eu demorei tanto tempo pra escrever quanto demorei para ler esses livros. Eles foram aqueles livros que sempre vemos em promoção mas no final nunca cabem no carrinho. Sempre o coloquei de fora para fechar a conta com algum outro. Até que, em uma bela tarde de outono, estava na casa de uma amiga fazendo o que fazemos de melhor (olhando fixamente para a estante de livros e comentando aleatoriamente títulos e autores), quando ganhei esses livros de presente em um simples gesto de “Aninha, não sei se vou ler esses livros… Quer pra você? Tem mais sua cara que a minha”. Que os deuses abençoem as pessoas altruístas que fazem bem ao próximo por pura ternura e amizade (Ra, já te agradeci o suficiente? Não? Obrigada!). Ainda assim, demorei mais de um ano para finalmente tirá-los da estante. Tenho algo em mim que diz o tempo certo de ler cada livro… E é tão ruim quando esse tempo fica descompassado. Não leiam por obrigação se sentem que outro título te chama, tá?

 O livro narra a história do fotógrafo Didier Lefévre em sua viagem ao Afeganistão de 1986 (em plena invasão soviética), com a missão de acompanhar e registrar a ação dos integrantes da MSF – Médicos Sem Fronteiras. A história é contada em forma de HQ, porém com um grande diferencial: as fotos de Lefévre. Elas se mesclam aos desenhos compondo uma HQ diferente, interessante e, claro, indiscutivelmente mais realista. As fotos em preto e branco quebram o horror do sangue, das feridas e das situações, transformando-os em parte da arte. Fazem com que a realidade deixe de ser repugnante e torne-se alarmante, preocupante, bela, algo pelo qual temos que nos preocupar, cuidar. É uma realidade que choca e fascina. E é justamente essa realidade que nos faz dar nota alta pro livro, que nos faz admirar o trabalho da MSF e nos faz querer juntar-se a eles.

Porque não foram poucas as vezes que pensei “podia ter feito enfermagem e me juntado à MSF”. Me identifiquei com os médicos e me admirei por sua vontade, sua garra, gana e força em ajudar. Em um contexto tão caótico, quem se voluntaria em fazer algo assim? Esse pensamento com certeza vai passar por sua cabeça, assim como já passou pela minha tantas vezes, mas só depois que li o livro consegui assimilar o que me faltava: coragem. E o tanto desse pó mágico que é necessário para fazer uma missão como esta. E talvez eu não tenha a tal coragem. Ou tenho? …

O contexto é a guerra afegã-soviética, um conflito entre as tropas soviéticas que apoiavam o governo marxista do Afeganistão, contra os mujahidim afegãos que buscavam derrubar o regime comunista no país.  O conflito durou 9 anos (de 1979 a 1988) e terminou com um acordo entre as partes, porém, não sem perdas. Nesta guerra morreram 1 milhão de afegãos e outros 5 milhões refugiaram-se nos países vizinhos. Enquanto que 52 mil soldados soviéticos foram mortos ou feridos.¹

Depois disso tudo vocês já podem ter noção da densidade da história. Sejam 3 ou 5 livros, você lê rápido. Um dia para cada volume é muito. Junte à história, os seus personagens (ou as pessoas envolvidas, porque é uma história real), o cenário magnífico das planícies afegãs, das invejosas montanhas cobertas belamente com neve e o conhecimento do dia-a-dia de uma cultura completamente diferente da nossa. Com tudo isso pesando na cesta, você vai ter a mesma reação que eu ao tirá-la do carrinho de compras? Pense duas vezes.

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E eu nem comentei das fotos…

Com carinho,

A.

# 2014: 2º, 3º e 4º.

Título: O Fotógrafo:
Autora: Guibert, Lefèvre, Lemercier
Editora: Conrad
Páginas:  88

Skoob: nota 3/5

¹. Fonte: Wikipedia

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