A culpa é das estrelas (J. Green)

13 out

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Querido Sr. Green,

Quis escrever algum tipo de resenha sobre seu livro, mas não consegui. Tudo o que queria dizer eram sobre emoções, então achei melhor endereçá-las à você, porque acredito que quem possa ter maior interesse sobre as minhas impressões sobre ele seja você, afinal é o seu livro. Quer dizer, contando que você não seja nenhum Peter Van Houten, por mais que esse seja um paradoxo cômico. Falando nisso, que belo personagem, hein? Sério, adorei.

Caro Green, eu sempre escondi uma característica especial minha: adoro filmes de drama. Gosto porque eles me ensinam, me mostram o extremo do sentir, me lavam de lágrimas e expandem minha perspectiva sobre pequenos problemas. Eles conseguem estudar a microsociologia mais que alguns autores por aí (sem indiretas). E viver bem não é, também, ser capaz de se colocar no lugar do outro? Pois então, gosto de levar essas pequenas dores comigo, assim me lembro dos outros e, talvez, escolha o caminho certo quando a encruzilhada aparecer. Só que não me leve à mal, não gosto de assisti-los com pessoas. Gosto de assisti-los sozinha, de não me preocupar em chorar rios, de não ter que fazer certos comentários aqui e ali para mostrar que não dormi e, quando acabar, rememorar todas as melhores partes enquanto escuto a trilha dos créditos passar até o fim – acho uma falta de respeito não olharmos os créditos até o fim, em qualquer filme que seja. E na real, os filmes de drama marcam, são aquelas histórias que as pessoas falam que são “lindas”, “uma história de vida” e tal, mas as pessoas fingem que eles são abominantes, fazem caretas ao se depararem com uma sinopse triste e usam frases como “já não basta os meus problemas” para se livrarem de uma história que, incrivelmente, podem lhes mostrar uma solução, uma motivação ou apenas um novo motivo para sorrir.

Meu irmão me deu seu livro porque ele já havia entrado para minha lista de desejos antes mesmo de ler a sinopse, eram muitas fotos da capa espalhadas por aí para eu não querer tê-lo e lê-lo. Li diversas resenhas por aí, mas por um motivo inexplicável nenhuma me marcou diretamente, só sobrou então a impressão dos elogios. Assim que o recebi quis ser uma pessoa boa e entreguei-o para minha mãe, explicando que ela ia adorar e que muitas pessoas o viam como “uma bela história de vida” e tal. Ela largou antes da página 50. Disse, com caretas, que não queria terminar de ler, era simplesmente “muito triste”. Comigo foi o oposto literal (mas você hei de lembrar que gosto de filmes de drama e ela ainda finge que não), me controlei para não terminá-lo de uma vez só – aliás, para quem ainda não leu o livro, tenho uma dica/experiência: não consegui ler ele em pequenas frações, um capítulo aqui e outro ali, tive que sentar e terminar o livro na segunda vez que o peguei. Pequenas doses desse remédio não fariam o mesmo efeito, talvez.

Sr. Green, eu queria dizer muito obrigada. Essa coisa toda de sentir pena do doente, dele se tornar mais ou menos humano, mais ou menos digno, de não querermos chegar perto, tocar, sentir… esses sentimentos sempre me perturbaram. E não vou mentir que todas minhas dúvidas e preocupações sobre o assunto foram devastadas, iluminadas pela luz da razão e da compreensão. Não. Mas elas se suavizaram. Consigo entrar na batalha das emoções com controle agora. Consigo dar o melhor de mim sem cair nas armadilhas dos critérios e papéis sociais. Consigo ajudar, querer, ter e sentir. Queria que mais pessoas se sentissem assim, talvez o mundo conhecesse melhor o significado de harmonia.

Você deve pensar que estou exagerando, são muitas novas skills por completar uma única missão, e de fato estou romanceando, mas upei. Sr. Green, eu subi um level. A capa da nossa versão brasileira não mente: eu ri, chorei e quis mais. Na verdade, eu não chorava assim desde A última música, nem me sentia tão bem desde… Bem, acho que esse drama ganhou o prêmio de melhor de todos – e incluo meus filmes dramáticos com suas trilhas sonoras, fotografias e os demais recursos disponíveis (supera até Keith e para mim isso é um tanto difícil de confessar).

Por fim, querido John, eu queria dizer que estou com saudades do Augustus Waters. E fico feliz com isso, acho que significa que ele já saiu do livro e habita algum lugar sentimental mais próximo. Uau, se todas histórias conseguissem fazer isso… Não estou triste, não totalmente pelo menos, estou grata por me proporcionar uma breve, mas infinita, lembrança – porque sei que vou me lembrar desse livro com carinho para sempre. Você sabe como é, alguns infinitos são maiores que outros… e o que fica é a nostalgia. E no meio desse emaranhado de sentimentos, achei que deveria saber… De nada em específico, só que o Augustus deixará saudade em mais uma pessoa.

Okay? Okay.

Com carinho,

A.

Obs:

# 2013: 44º

Título:  A culpa é das estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 286

Skoob: nota 5/5

6 Respostas to “A culpa é das estrelas (J. Green)”

  1. Micaela Alves 14 de outubro de 2013 às 4:44 pm #

    Esse livro é tão lindo, espero que o filme também seja tão bom quanto!

    • anapalombo 14 de outubro de 2013 às 4:56 pm #

      Concordo! :*

  2. Camila 16 de outubro de 2013 às 8:44 pm #

    Eu li o post toda paranóica com medo de spoilers hauaha quero ler, o que anda me faltando é tempo :( Amei seu Blog, aqui passa uma tranquilidade e uma fofura eterna, um mar de estrelas coloridas brilhantes *–* <3<3
    Dei uma lida em outros posts e juro que se estivesse com um tempinho iria comentar em cada um deles, mas me desculpe… :/
    (Ps: Seu blog me fez sorrir :))) , fico tão contente quando encontro pessoas em que eu acredito que carrega o poder da mudança dentro de si, ultimante estou conhecendo Blogs maravilhosos, o seu é um deles)
    Beijinho e tudo de bom!

    • anapalombo 17 de outubro de 2013 às 10:41 am #

      AIMEUDEUSQUEFOFURA!
      Merci Cami, merci. Fico sorrindo bobamente quando vejo que é possível impactar, mesmo que minimamente, as pessoas apenas com palavras e imagens. Que fofa, adorei saber que você gostou daqui, espero que visite esse jardim florido mais vezes e que goste sempre. ;*

  3. Aninhahh 13 de janeiro de 2014 às 6:46 pm #

    Ai Ana…
    O que dizer de John Green…Apenas amor né?
    Eu comprei o livro depois de ver 1394891348 resenhas a respeito, mas apesar das resenhas o livro extrapolou minhas expectativas…
    Tbm senti e ainda sinto saudades do Gus…O personagem que marcou o meu ano 2013, sem dúvida !

    hahahah adorei a forma como vc escreveu a resenha… Parabéns !

    http://www.odocediariodasanas.wordpress.com

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