Capítulo 2

3 jun

Ahn, eu estou meio que escrevendo uma história. Lembram desse conto? Eu tenho uma continuação que apresento aqui no “Capítulo 2” e ainda tenho mais para colocar em palavras. Organizar a memória e o coração em uma história fictícia da época adolescente. Todos os capítulo da história ainda sem título serão arquivado na categoria Romance de iniciante. Alguém se interessa em ler mais? Sintam-se a vontade. E, se gostarem, me incentivem nos comentários. ;)

[47-365D] No time for fun

Como imaginei, nossas conversas finalmente chegaram a monotonia. Não conversamos mais todos os dias e nem ficamos nos perdendo em conversas tão longas quanto conseguíamos acompanhar.

Depois daquela última vez que nos vimos eu me segurei ao máximo para não explodir de ansiedade em entrar em contato com ele. Desejei até que vivêssemos em outra época, quando “estar online” não fosse uma pressão além de qualquer outra. Às vezes pior até do que essa coisa toda de vestibular (mãe, professoras, escola e medo do cursinho já são muita coisa). Mas até que os estudos ajudaram a equilibrar a balança, porque foi por me concentrar fria e intensamente neles que não cedi à tentação de abrir o chat e escrever “O jogo não acabou”. Claro que ele não ia entender de imediato e eu teria que explicar a metáfora das flechas/caçada e… enfim, não importa, o primeiro passo foi dele.

A escola me mantém ocupada até o 12h, chego em casa 12h30 faminta! Quando consigo descansar depois do almoço, durmo 15 minutos e saio para voltar para a escola. O período da tarde começa às 14h e vai até 17h45. Como já estou pegando firme para as provas daqui a alguns meses, ainda estudo das 19h às 22h. Ou seja, internet só é possível depois das 22h e por um curto período de tempo que consigo me manter zumbimente acordada e ativa até a hora de dormir – horas preciosas que são interrompidas ocasionalmente com pensamentos nele. Então é fácil de imaginar minha surpresa quando, em cima de toda essa bola de neve que estava minha vida, recebi uma mensagem offline:

Caio (20:45): Por que nunca te encontro online, hein menina? Foi bem de viagem? =)

Meu mundo explodiu. Um frio na barriga me deu uma energia de felicidade tão grande que tive que me levantar para conseguir conter um grito e uma risada alta (na verdade foi algo mais próximo de uma dança igual a do Chandler, mas não tenho exatamente orgulho em confessar que palavras tão simples me fazem sentir tão besta). Só quando me acalmei percebi que ele ainda estava online. Céus! Pensei muito para escrever mas a urgência em responder antes que ele saísse me fez dizer a primeira coisa que me passou pela cabeça.

Alice (22:13): Fui bem de viagem. Aliás, uma ótima viagem eu diria. E com você tudo ok? Sua irmã te deixou em paz na volta pra casa? =)

E assim começou nossa tradição noturna de conversas fúteis, que durou o tanto quanto foi possível. Tocamos no nosso assunto apenas uma vez e com muita cautela. Não lembro do que falávamos, alguma coisa sobre música.

Caio (23:07): Você disse que gostava da minha voz, não sei porque seria uma coisa tão ruim assim eu cantar pra você. =P

Alice (23:08): É verdade. Você não esqueceu disso ainda?

Caio (23:08): Claro que não! Eu vou sempre lembrar disso =)… E da próxima vez que te ver vou cantar para você as mais belas músicas do… Jet?

Alice (23:09): “Look what you’ve done” serve. Mas é preciso treino, hein! Não quero qualquer coisa de qualquer jeito.

Caio (23:09): Eu prometo treinar se você prometer gostar não importa como saia.

Alice (23:10): É um acordo estranho, mas feito! ;)

Foi isso. Quando percebemos nossas conversas foram ficando meio sem assunto, passavam minutos sem alguém digitar algo, começaram os desencontros e depois de 2 meses conversando tínhamos apenas conversas offline cheia de “perguntas para responder depois”, a maioria updates do que acontecia na vida de cada um, nada demais.

E foi no meio de um desses textos-questionários que me perdi em minha tão incerta certeza de sentimentos. Respondendo à pergunta “e seus casos amorosos, como vão?” (uma pergunta besta, queria relatar), ele disse:

Caio (00:15): (…) E meus casos amorosos? Que romântica você colocar dessa maneira. Ah, vão indo… Lembra daquela menina que te falei? Ela voltou pra escola. Ontem encontrei ela naquela festa dos 100 dias. Sei lá, vamos ver.

Corri no mesmo instante para o perfil dele e como se escrito nas estrelas uma promessa de amor eterno estava um recado dela.

Natalia J.: … =)

Eu quis sumir. E pior do que esse emotion infeliz era o fato de que esse era um tipo de recado que eu enviaria, por mais estranho que pareça. E isso me deixou com mais raiva ainda! Ele já me substituiu? Ou eu a substituí enquanto ela estava ainda fora de alcance? Ou ele só me procurou porque eu era parecida com ela? Quer saber? Eu não quero mais saber.

Deste dia em diante nunca mais mandei smiles. Smile my ass! Esse tipo de recado seria minha nova personalidade.

A.

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