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Agência nº1 de mulheres detetives (A. M. Smith)

9 abr

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O nome me chamou a atenção. A editora fez o peso. O preço promocional juntou tudo com um laço. Mais uma compra via promoção no Submarino, mais um livro que compro sem ter nunca ouvido falar e que me ganha por uma delicada unicidade.

“(Mma Ramotswe) Mandou pintar em cores vivas uma placa, que foi colocada bem na saída da Lobatse Road, onde terminava a cidade. Apontava para a pequena casa que ela havia comprado: AGÊNCIA Nº1 DE MULHERES DETETIVES. PARA TRATAR DE ASSUNTOS E INVESTIGAÇÕES CONFIDENCIAIS. SATISFAÇÃO GARANTIDA A TODAS AS PARTES. SOB ADMINISTRAÇÃO PESSOAL.” (SMITH, A. M. Agência nº1 de mulheres detetives. 2003, p. 12)

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A história tem como plano de fundo o país Botsuana (ou Botswana), localizado na África Austral. Nossa protagonista se chama Preciosa Ramotswe. Diferente das belas protagonistas dos best-sellers ou das nerd-lindas da nossa tão conhecida literatura infanto-juvenil, Mma Ramotswe era uma mulher “boa e gorda”. Perspicaz, inteligente, sensitiva e com uma memória inabalável, ela nos mostra que a bondade e a generosidade são também atributos capazes de desvendar mistérios. Após a morte de seu pai, Mma Ramotswe realiza seu desejo de abrir uma agência de detetives. Mas não uma qualquer, a primeira de Botsuana e a primeira a ser dirigida por uma mulher. Portanto, compra uma casa e duas escrivaninhas, contrata uma secretária e ambas esperam os clientes com sorrisos ansiosos.

A princípio aparecem poucos clientes, uns casos de traição aqui, outros de sumiço ali. Depois os clientes começam a ficar mais poderosos, astutos e com tramas mais complexas. Mma Ramotswe faz amigos importantes e cultiva os antigos com tanto carinho que não demonstra em quaisquer sentimentos as sombras das perdas do seu passado.

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Para quem esperava um livro policial ou algo parecido com Agatha Christie (a tal que Mma Ramotswe tanto se inspira), não se engane. Esse livro não trata apenas dos mistérios a resolver, ele é um daqueles livros que vão além das palavras e que nos fazem sentir a leveza da comunicação com outro ser humano. Aquela coisa de ler sobre uma outra pessoa e de repente querer um dia estar perto dela para sentir um pouco daquilo tudo que a cerca.

Eu gostei do livro, foi uma narrativa bem leve e aconchegante. A única coisa que me incomodou foi a foto da capa, pois não imagino, segundo as descrições do autor, que a casa que ela vivia ou seu escritório eram meramente próximos disso. Mas deixei passar pelo nome brilhantemente chamativo.

“Agência nº1 de mulheres detetives” não foi um livro único e tem uma pequena série que o acompanha, no entanto, não foram publicados pela Cia. das Letras, que só manteve esse único título. A Editorial Presença foi mais longe e lançou não só esse como também “Lágrimas de Girafa” e “Moralidade e Raparigas Bonitas”, os seguintes livros da série. Parece que essa não foi uma aposta no Brasil e ainda não temos outras traduções, porém, Smith não parou de produzir as aventuras de Mma Ramotswe e até ano passado já tinha lançado 13 livros da série (veja a série completa!). Pois bem, acho que achei mais uma série para acompanhar em inglês.

Fora os livros, Mma Ramotswe compartilhou seu escritório em uma série de TV criada pela BBC em parceria com a HBO, mas essa só durou 7 episódios de 60 minutos que foram ao ar na Inglaterra (BBC) e nos EUA (HBO) de 23 de março de 2008 a 19 de abril de 2009. Bem, acho que mais uma vez vou preferir os livros, pelo menos eles foram mais longe.

[197-365D] Obvious test

# 2013: 6º

Título: Agência nº1 de mulheres detetives
Autor: Alexander McCall Smith
Editora:  Companhia das Letras
Páginas: 240

Skoob: nota 4/5

Com carinho,

A.

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