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Le Petit Prince (A. Saint-Exupéry)

25 mar

[179-365D] Tout à coup, nous, mon Petit Prince

Meu livro

Sabe aqueles livros que existem na estante antes mesmo de você existir no berço? Esse é um deles. O Pequeno Príncipe sempre foi uma história obrigatória na vida das pessoas, um “must read” e “must have” em todas as estantes, acho que é por isso que na estante aqui de casa temos dois exemplares, um em português, outro em francês. Ambos foram usados pelos meus pais quando eles ainda estavam no colégio, então ambos tem aquele aspecto, hum…. velho. Cheiro, cor, tudo.

Quando comecei a fazer francês, esse livro saltou da estante mais uma vez e ocupou espaço especial na lista de futuras leituras. Já tinha lido ele em português quando criança, mas a ansiedade de lê-lo em francês ganhou níveis de possibilidade bem maiores conforme ia avançando o curso. Pois bem, esse foi o primeiro livro em francês que consegui e escolhi ler inteiro. E tanto me maravilhei por conseguir compreender, tanto por reler uma história tão especial.

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A história

O Pequeno Príncipe é um livro clássico por diversos motivos. Escrito por Antoine de Saint-Exupéry e publicado em 1943 nos Estados Unidos, é a terceira obra literária  mais traduzida no mundo (sendo a primeira a Bíblia e a segunda o livro O Peregrino), tendo sido publicado em 160 idiomas e dialetos. Ele pode até parecer um livro para crianças, mas não é à toa que até hoje encanta pessoas de todas as idades com seu quê poético e filosófico.

A história começa com o narrador contando como seu avião caiu no deserto do Sahara e ele se viu sozinho, sem ninguém por perto… até encontrar um pequeno bonhomme. O Pequeno Príncipe pede que ele lhe faça desenhos e ao responder aos desejos do pequenino ambos começam uma amizade. Com descrições bizarras, o narrador percebe que seu novo amigo não era dali, nem tampouco do planeta terra e intriga-se à descobrir de onde vem esse pequenino que, como diz, mora em um planeta muito pequeno, pouco maior que uma casa – pensamos que seja o asteroide B 612.

Conforme os dias vão passando, os dois amigos passam a se conhecer melhor, então o Pequeno Príncipe lhe conta sobre o drama dos baobás que crescem em seu planeta (árvores que chegam até 25 metros de altura!),  como já conseguiu ver o pôr-do-sol 43 vezes em um único dia, como é sua rotina de remexer os três vulcões que possui em seu planeta e da sua querida amiga rosa, uma flor muito orgulhosa.

Ao seguirmos com a leitura vemos como o Pequeno Príncipe chegou à terra, através de uma viagem de exploração e conhecimento dos outros planetas próximos ao seu: ele primeiro foi à um planeta muito pequeno onde habitava um rei que pensava que governada todo o universo; no segundo, habitava um homem muito vaidoso que pensava que todos eram seus admiradores; no terceiro, habitava um bêbado que não fazia nada além de beber para aplacar a vergonha de ser um bêbado; no quarto, um homem de negócios se ocupava todo o tempo à contar as estrelas, pois se ele as contabilizar todas, então seria dono delas; o quinto planeta era o menor de todos e ali habitava um allumer, um homem que passava seu tempo a acender ou apagar o poste de luz indicando dia ou noite (mas em um planeta tão pequeno, os dias passavam em minutos); o sexto planeta era bem grande, cheio de aventuras mas com um único habitante, um geógrafo que descrevia as belezas de seu planeta; e então, o sétimo planeta foi a terra.

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Com uma narrativa deliciosa, o narrador disserta as aventuras do Pequeno Príncipe na terra e os amigos que encontra pelo caminho, como a cobra e a raposa – passagens tão conhecidas do livro. Como fiquei emocionada em lê-las finalmente em sua língua original (e entender!) resolvi transcrevê-la aqui:

“- Bien sûr, dit le renard. Tu n’es encore pour moi qu’un petit garçon tout semblable à cent mille petits garçons. Et je n’ai pas besoin de toi. Et tu n’as pas besoin de moi non plus. Je ne suis pour toi qu’un renard semblable à cent mille renards. Mais, si tu m’apprivoises, nous aurons besoin l’un de l’autre. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde…” (Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, 1960, p. 68)

*Tradução: “-  É claro, disse a raposa. Você ainda é um menino para mim igual a cem mil outros meninos. E eu não preciso de você. E você não precisa de mim. Eu sou para você uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Você vai ser o único no mundo para mim. Eu serei para você única no mundo … “

A moral deixada pelo livro é algo realmente encantador. Ficamos sorrindo diante da maravilha da simplicidade dos sentimentos, bem como da sinceridade com que os personagens o tratam, deixando tudo com um quê de ingenuidade de criança misturado à razão dos adultos em buscar algo verdadeiro nas palavras.

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” – Les hommes ont oublié cette vérité, dit le renard. Mais tu ne dois pas l’oublier.
Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Tu es responsable de ta rose… (Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, 1960, p. 74)*Trad: – Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas você não deve esquecê-lo. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas. Você é responsável por sua rosa …)

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Se você ainda não leu, é uma leitura obrigatória. Se você já leu, releia, nunca é demais re-significarmos nossos atos buscando inspiração em belas histórias.

#2013:11º

Título: Le Petit Prince
Autora: Antoine de Saint-Exupéry
Editora: Gallimard
Páginas: 94

Skoob: nota 5/5

Obs: Ah! Se alguém souber onde posso comprar livros em francês, manda um alô aqui nos comentários, por favor? :)

Com carinho,

A.

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