Arquivo | março, 2013

Postcrossing III

30 mar

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E março chegou e já está indo. Mas antes que acabe, quis manter minha pequena diversão atualizada e corri para mandar os meus queridos cartões postais. Incrivelmente, da última vez que postei aqui sobre o Postcrossing, tinha recebido apenas dois cartões e ao longo do post vocês vão ficar tão surpresos quanto eu ao verem quantos recebi esse mês.

Mais uma vez eu fiz meus próprios cartões para mandar e, apesar de já ter uma nova ideia para os próximos meses, eu adorei como ficou meu cartão. Resolvi escolher uma foto que representasse algo que fosse um pouco além da minha “vidinha” pessoal, então resolvi escolher uma foto que mostrasse um pouco da minha estante de livros – como ela costumava ser, pelo menos (saudade dos meus livros na minha estante, no meu quarto). Como escrevi nos cartões que mandei, pelo menos assim as pessoas podem ver o que eu (e muitos jovens brasileiros) ando lendo e conhecer/reconhecer alguns títulos de livros. Claro, sei que poderia ter elaborado essa ideia bem mais produtiva, mas como disse fiz tudo às pressas.

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Agora quanto aos cartões que recebi… uau. Foram 7 (sete!) no total, um mais lindo e especial que o outro. Tirei foto de cada um para mostrar, só que infelizmente não posso mostrar também as lindas caligrafias das pessoas e seus recados tão fofos e especiais. Acho que mais do que o cartão em si ou da foto, gosto de observar atenciosamente e com carinho as caligrafias e tal. Cada vez que recebo um novo cartão fico feliz em ter encontrado o Postcrossing, aiai.

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Hollywood, EUA.

Esse é o meu cartão preferido até agora! É uma foto do hotel/casino Sahara Tahoe. Segundo o Matt, ele achou cartões postais antigos  dentre as coisas da avó dele e resolveu enviá-los. Imaginem que fiquei mega feliz por ser uma das pessoas que receberam um deles. E para adicionar mais fofura nisso tudo, o cartão ainda tem aquela borda ornamentada que me lembra nuvens. :)

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Minsk, Bielorrússia.

A flora da Bielorrúsia – eu poderia até dizer o nome da flor, mas não entendo russo. Olya me escreveu uma frase que me mandou repetir toda manhã: “Each morning we are born again. What we do today is what matters most.” (Buddha).

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Veenendaal, Holanda.

Mieke tem uma caligrafia um pouco complicada de entender (quem sou eu pra falar algo sobre a caligrafia dos outros? Eu mal entendo a minha própria!) e apesar de achar o lugar lindo pelas fotos e adorar esse estilo de casa holandesa, eu não gostei daquela foto da esquerda dele segurando a ovelha – ele pode estar apenas cortando seu pelo, mas parece que não e isso me assusta um pouco.

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Sheuzen, China.

Oolha que cartão mais meigo! Recebi ele do Kevin, um estudante universitário de Sheuzen, uma jovem cidade com um cenário maravilhoso. Ah, isso sem dúvida!

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Glückstadt, Alemanha.

Eu achei essa foto maravilhosa. O cartão é maior do que os outros o que faz com que chame ainda mais atenção. Quem me mandou foi o Thomas, um senhor de 45 anos que vive em Glückstadt, uma cidade próxima à Hamburg. Ele escreveu uma frase em alemão e sua tradução em português, olha que gentil. Normalmente as pessoas escrevem a tradução em inglês, pois concordamos que é a língua universal. Anyway, a frase diz o seguinte: “Para um amor se tornar inesquecível é preciso que, desde o primeiro momento, os acasos se reúnam nele como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis”.

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Breda, Holanda.

Eu.. não sei o nome da jovem senhora que me mandou esse cartão, mas sei que ela tem uma caligrafia muito bonita! Sério, não sei como, mas ela fez uma margem prefeita de um dedo, mantendo um parágrafo inteiro em um espaço que forma uma perfeita coluna, só que sem nenhuma borda. Ela me escreveu a seguinte frase: “He whispered: It has been seen, it will not be unnoticed from now on”, de Gerard Reve. Eu gostei e vou pesquisar melhor sobre o livro depois.

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Kauniainen, Finlândia.

E por último-mas-não-menos-importante, um lindo cartão que veio da Finlândia. Essas partes em rosa são aplicações de glitter e ele é feito de um papel brilhante, muito bonito! Eles ainda capricharam no selo, com um todo especial de uma atriz chamada Keista Kosonev. Legal, né?

Olhem como ficou meu mapa:

Sem título

E todos os cartões de março juntos:

[182-365D] Postcrossing IV

Então é isso. Eu certamente não vou abrir mão de mandar esses cartões todo mês, me deixam tão feliz! :)

Com carinho,

A.

Le Petit Prince (A. Saint-Exupéry)

25 mar

[179-365D] Tout à coup, nous, mon Petit Prince

Meu livro

Sabe aqueles livros que existem na estante antes mesmo de você existir no berço? Esse é um deles. O Pequeno Príncipe sempre foi uma história obrigatória na vida das pessoas, um “must read” e “must have” em todas as estantes, acho que é por isso que na estante aqui de casa temos dois exemplares, um em português, outro em francês. Ambos foram usados pelos meus pais quando eles ainda estavam no colégio, então ambos tem aquele aspecto, hum…. velho. Cheiro, cor, tudo.

Quando comecei a fazer francês, esse livro saltou da estante mais uma vez e ocupou espaço especial na lista de futuras leituras. Já tinha lido ele em português quando criança, mas a ansiedade de lê-lo em francês ganhou níveis de possibilidade bem maiores conforme ia avançando o curso. Pois bem, esse foi o primeiro livro em francês que consegui e escolhi ler inteiro. E tanto me maravilhei por conseguir compreender, tanto por reler uma história tão especial.

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A história

O Pequeno Príncipe é um livro clássico por diversos motivos. Escrito por Antoine de Saint-Exupéry e publicado em 1943 nos Estados Unidos, é a terceira obra literária  mais traduzida no mundo (sendo a primeira a Bíblia e a segunda o livro O Peregrino), tendo sido publicado em 160 idiomas e dialetos. Ele pode até parecer um livro para crianças, mas não é à toa que até hoje encanta pessoas de todas as idades com seu quê poético e filosófico.

A história começa com o narrador contando como seu avião caiu no deserto do Sahara e ele se viu sozinho, sem ninguém por perto… até encontrar um pequeno bonhomme. O Pequeno Príncipe pede que ele lhe faça desenhos e ao responder aos desejos do pequenino ambos começam uma amizade. Com descrições bizarras, o narrador percebe que seu novo amigo não era dali, nem tampouco do planeta terra e intriga-se à descobrir de onde vem esse pequenino que, como diz, mora em um planeta muito pequeno, pouco maior que uma casa – pensamos que seja o asteroide B 612.

Conforme os dias vão passando, os dois amigos passam a se conhecer melhor, então o Pequeno Príncipe lhe conta sobre o drama dos baobás que crescem em seu planeta (árvores que chegam até 25 metros de altura!),  como já conseguiu ver o pôr-do-sol 43 vezes em um único dia, como é sua rotina de remexer os três vulcões que possui em seu planeta e da sua querida amiga rosa, uma flor muito orgulhosa.

Ao seguirmos com a leitura vemos como o Pequeno Príncipe chegou à terra, através de uma viagem de exploração e conhecimento dos outros planetas próximos ao seu: ele primeiro foi à um planeta muito pequeno onde habitava um rei que pensava que governada todo o universo; no segundo, habitava um homem muito vaidoso que pensava que todos eram seus admiradores; no terceiro, habitava um bêbado que não fazia nada além de beber para aplacar a vergonha de ser um bêbado; no quarto, um homem de negócios se ocupava todo o tempo à contar as estrelas, pois se ele as contabilizar todas, então seria dono delas; o quinto planeta era o menor de todos e ali habitava um allumer, um homem que passava seu tempo a acender ou apagar o poste de luz indicando dia ou noite (mas em um planeta tão pequeno, os dias passavam em minutos); o sexto planeta era bem grande, cheio de aventuras mas com um único habitante, um geógrafo que descrevia as belezas de seu planeta; e então, o sétimo planeta foi a terra.

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Com uma narrativa deliciosa, o narrador disserta as aventuras do Pequeno Príncipe na terra e os amigos que encontra pelo caminho, como a cobra e a raposa – passagens tão conhecidas do livro. Como fiquei emocionada em lê-las finalmente em sua língua original (e entender!) resolvi transcrevê-la aqui:

“- Bien sûr, dit le renard. Tu n’es encore pour moi qu’un petit garçon tout semblable à cent mille petits garçons. Et je n’ai pas besoin de toi. Et tu n’as pas besoin de moi non plus. Je ne suis pour toi qu’un renard semblable à cent mille renards. Mais, si tu m’apprivoises, nous aurons besoin l’un de l’autre. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde…” (Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, 1960, p. 68)

*Tradução: “-  É claro, disse a raposa. Você ainda é um menino para mim igual a cem mil outros meninos. E eu não preciso de você. E você não precisa de mim. Eu sou para você uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Você vai ser o único no mundo para mim. Eu serei para você única no mundo … “

A moral deixada pelo livro é algo realmente encantador. Ficamos sorrindo diante da maravilha da simplicidade dos sentimentos, bem como da sinceridade com que os personagens o tratam, deixando tudo com um quê de ingenuidade de criança misturado à razão dos adultos em buscar algo verdadeiro nas palavras.

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” – Les hommes ont oublié cette vérité, dit le renard. Mais tu ne dois pas l’oublier.
Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Tu es responsable de ta rose… (Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, 1960, p. 74)*Trad: – Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas você não deve esquecê-lo. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas. Você é responsável por sua rosa …)

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Se você ainda não leu, é uma leitura obrigatória. Se você já leu, releia, nunca é demais re-significarmos nossos atos buscando inspiração em belas histórias.

#2013:11º

Título: Le Petit Prince
Autora: Antoine de Saint-Exupéry
Editora: Gallimard
Páginas: 94

Skoob: nota 5/5

Obs: Ah! Se alguém souber onde posso comprar livros em francês, manda um alô aqui nos comentários, por favor? :)

Com carinho,

A.

Robert Capa

22 mar

Conheci Robert Capa através do livro Um Diário Russo, que peguei em uma das manhãs de estudo na biblioteca. Nele o autor J. Steinbeck faz um relato da viagem dos dois através da ex-URSS no começo da Guerra Fria. Esse foi um dos primeiros livros em que consegui analisar as fotos não só como documento jornalístico como também artístico. E desde então, Capa ganhou mais uma fã. Com vocês, Robert Capa.

Endre Erno Giredmann, judeu, nascido em Budapeste em outubro de 1913, mudou-se da Hungria para Berlim aos 18 anos, afim de estudar Ciência Política e se tornar escritor. Porém, sua vontade deixou de ser perseguida quando conseguiu um emprego em um laboratório fotográfico de Ullstein, onde foi assistente. Sua foi transformada ao se mudar da Alemanha para França, na tentativa de escapar da perseguição nazista, quando passou a trabalhar como fotógrafo independente. Época também na qual adotou o nome tão conhecido de Robert Capa (“cápa”, que significa “tubarão” em húngaro, foi seu apelido na infância).

Sua fama foi reconhecida mundialmente através da cobertura da Guerra Civil Espanhola, dentre 1936 a 1939. A célebre fotografia “The Falling Soldier” (abaixo), de um antifranquista levando um tiro, teve repercussão internacional e se tornou um importante símbolo da guerra. Depois da sua experiência na Espanha decidiu seguir a carreira de fotógrafo de guerra e viajou à China, Itália, França, Alemanha e Israel.

SPAIN. 1936. The Spanish Civil War ended on this day in 1939.

“Capa esteve na vanguarda da fotografia do século 20. Até então, as fotos de guerra eram feitas com câmeras enormes, que impossibilitavam a espontaneidade e a mobilidade. Ele utilizava uma Leica 35mm, além de uma Contax IIa e uma Nikon S. Por fotografar de perto, deu identidade ao sofrimento e à barbárie, assumindo os mesmos riscos dos soldados que fotografou, com a diferença de que as câmeras eram suas únicas armas.”*
Capa encontrou a morte através de uma trágica consequência de seu próprio lema: “Se suas fotos não estão boas o suficiente, você não está perto o suficiente”. Ele pisou em uma mina durante a cobertura da guerra de Indochina para a revista Life, em 1954, com 40 anos. Foi encontrado com a câmera nas mãos.
Transmitindo de forma penetrante os sentimentos e o sofrimento dos que viviam a guerra, Capa declarava através da escolha da fotografia de guerra não o seu apreço, mas o desgosto contra a injustiça. Cada clique demonstrava talento e sua presença ativa como fotógrafo valeu-lhe grande admiração e fama internacional. Sua obsessão pelo trabalho fez com que ele se tornasse símbolo e referência dos fotojornalistas.
Nas palavras de seu amigo John Steinbeck, “Capa mostrava o horror de todo um povo no rosto de uma criança”.*

CHINA. 1938. Hankow. Children play in the snow during the Second Sino-Japanese War.

CHINA. 1938. Hankow. Young women being trained as Nationalist Chinese soldiers.

SPAIN. 1939. Barcelona. At a refugee transit center during the evacuation of the city.

TUNISIA. 1943. The American fighter ace, Pilot LARDNER in the cockpit.

FRANCE. 1944. Paris. Crowds fill up the Champs Elysees to celebrate the liberation of Paris.

FRANCE. 1944. Normandy. Omaha Beach. The first wave of American troops lands at dawn.

BELGIUM. 1944. Near Bastogne. An American soldier capturing a German soldier.

GERMANY. 1945. An American soldier killed during a house to house fight against German troops.

FRANCE. 1944. Paris. Place de l’Hôtel de Ville. German soldiers started shooting against the parade.

Me perdoem se o post ficou muito pesado por se tratar de um assunto tão “tenso” (bem, ver corpos de pessoas e não pensar em toda dor e consequências de uma guerra não é fácil, né?), mas muita vezes a arte não vem só para extrair sorrisos, mas indignação, compaixão e reflexão.

Quando não em campo, Capa também tirava foto de alguns amigos famosos como Hemingway, Picasso ou Hitchcock. Para ver mais fotografias dele, só clicarem aqui.

(*) Fonte texto: www.fotografeumaideia.com.br / http://www.foto.espm.br / www.magnumphotos.com
Fonte fotos: www.magnumphotos.com
Para quem quiser saber ainda mais, vão atrás do livro que citei no começo. Steinbeck escreve seu relato como um diário e nele aparecem bastantes implicações com seu caro amigo. Aparentemente ele tinha certos problemas para acordar e Steinbeck tinha que inventar um enigma a cada manhã para ele se concentrar e levantar-se da cama. Interessante né? ;)
Com carinho,
A.