Sebastião Salgado

29 jan

Continuando com a pesquisa de fotógrafos clássicos que devamos conhecer, hoje vim apresentar Sebastião Salgado. Fiz um trabalho (o último trabalho da faculdade!) analisando algumas fotografias dele e aproveitei para compartilhar com vocês um pouco do que vi, aprendi e gostei.

Nascido em 8 de fevereiro de 1944, Sebastião Ribeiro Salgado é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Originário de Aimorés, Minas Gerais, Salgado graduou-se em economia concluindo mestrado e doutorado na mesma área (fez mestrado de Economia no Brasil, na USP, em 1967, e doutorado, na França, na Escola Nacional de Estatísticas Econômicas, em 1971). Foi em um de seus trabalhos como economista na Organização Internacional do Café, na Londres da década de 1970, que descobriu a fotografia como forma de retratar a realidade econômica: ao fotografar os cafezais africanos, compreendeu que a fotografia se apresentava melhor do que textos e estudos estatísticos para retratar essa realidade social. Desde então, sua bibliografia é composta de diversos livros publicados dentre 1996 e 2005, tais como “Trabalhadores” (1996), “Êxodos” (2000) e “O Berço da Desigualdade” (2005).

A metodologia de trabalho de Sebastião Salgado é fortemente influenciada pela técnica do ”momento decisivo”, tão comum dentre os fotojornalistas e tão difundida através dos olhares monocromáticos de Cartier-Bresson, célebre fotojornalista francês. Esta técnica consiste em fotos diretas, disparadas no momento “certo” a ser retratado pelo artista. Desta forma, o fotógrafo procura transmitir em um click todo o impacto da situação observada; para maior ênfase ao momento, as fotos são apresentadas em preto e branco. A ausência de cor dá profundidade à fotografia, isto é, a atenção do leitor se deita na clareza da situação retratada, pois o que para o fotógrafo é interessante mostrar é o contexto, o impacto do momento retratado. Por tratar-se de fotografias com contexto gerador de debate e incômodo, as fotografias em preto e branco justificam seu uso como denúncia das dificuldades pelas quais passam as populações à margem econômica da sociedade.

Para mostrar um pouco mais da obra desse célebre fotógrafo, escolhi dois dos seus livros mais lembrados e uma publicação especial de retratos que, ao vê-la, foi como se me pedisse para participar do post e não pude dizer não:

Retratos

As crianças fotografadas aqui são como as dezenas de milhões que podem ser encontradas em favelas, campos de refugiados e acampamentos camponeses da América Latina, África, Ásia e Europa. Num certo sentido elas foram escolhidas ao acaso. Mas são também orgulhosamente individuais porque, em outro sentido bastante real, escolheram ser fotografadas.

Certo dia, essas crianças viram um estranho com uma câmera e pularam e gritaram, excitadas com a novidade. Então, foi feito um acordo: para que deixassem o visitante trabalhar em paz, foram convidadas a fazer fila para serem retratadas. Uma a uma, fitaram a câmera e decidiram como ela devia registrá-las.

Campo de Shamak para afeganes deslocados. Pul-i-Kumri, norte do Afeganistão . 1996

Escola do campo de Natinga para sudaneses deslocados. Sul do Sudão . 1995

Trabalhadores

Em 1986, Sebastião Salgado começa uma das reportagens sobre o trabalho manual, viajando através de diversos países.Este trabalho foi concebido com o objetivo de contar a história de uma época. Estas imagens oferecem uma espécie de arqueologia visual de uma era que a história conhece sobre o nome de «Revolução Industrial ». Uma época em que mulheres e homens pelo seus trabalhos, detinham em suas mãos o eixo central do mundo.

O aumento brutal na produção e o aprimoramento dessa produção leva a um limite : o mundo super desenvolvido produz apenas para a parcela da humanidade que pode consumir. E essa parcela, era na época, de aproximadamente um quinto da população do planeta. Os outros quatro quintos, a quem caberia o excedente dessa produção espetacular, não têm como entrar no consumo.
O destino das mulheres e dos homens é de criar um mundo novo, recordar que existe um limite, uma fronteira para tudo, exceto para o sonho humano, que permitem de se adaptar, de resistir e de crer. Na história não existe sonhos solitários.

Numa plantação de chá. Ruanda . 1991

Estaleiro de desmantelamento de navios, Chittagong, Bangladesh . 1989

Construção do canal do Rajastão, Índia . 1989

A mina de ouro de Serra Pelada, Parà, Brasil . 1986

Trabalhando num poço de petrَleo. Greater Burhan, Kuwait . 1991

Pescadores de mariscos. Ria de Vigo, Espanha . 1988

Êxodos

Em décadas recentes, centenas de milhões de pessoas por todo o globo foram desalojadas de seus lares pela pobreza, por guerras e pela repressão. Alguns fogem para salvar a própria vida; outros arriscam sua vida para escapar da miséria. A maioria termina em campos de refugiados ou em favelas de cidades do Terceiro Mundo; alguns poucos têm sorte e encontram uma existência melhor em um país rico distante de sua terra natal. Todos, de maneiras diferentes, estão à mercê de forças políticas e econômicas além de seu controle.
As mudanças na economia global agravando a pobreza na maior parte do Terceiro Mundo, a migração camponesa está dando origem a cidades imensas e ingovernáveis.

Campo de Ivankovo onde 120 refugiados vivem em trens. Croácia . 1994

A mesquita de Istiqlal é a maior do mundo. Jacarta Indonésia . 1996

Orfelinato da FEBEM (Fundaçâo Estadual para o Bem-Estar de Menor). Sâo Paulo, Brasil . 1996

Escola no campo de refugiados de Kakuma para jovens fugidos do Sudâo. Quênia . 1993

O objetivo da fotografia de Salgado é a reflexão. Ele procura fazer com que as pessoas reflitam a situação econômica do local retratado, seja por meio do choque ou da imagem nua e crua da pobreza, da dor, da fome. Explorando temas clássicos da Economia, como desigualdade social e globalização, gera debate ao redor dessas questões expondo-as da forma mais clara possível em suas imagens. Como o próprio afirma: “Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair”.

Fonte texto: MURITIBS, Maiara. Sebastião Salgado.

Fonte imagens: Amazonas Images

E eu espero que vocês, assim como eu, tenham sentido algo ao ler essas fotografias. Enquanto lia, fui tomada por fortes ondas de sentimento que se revelaram além do papel, ao arrepiar-me ou chorar com certas fotografias.

Com carinho,

A.

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