Preciso de ar

6 jan

[114-365D] Don't go

Preciso gritar, mas não sei o quê. Não sei qual palavra escolher e o tradicional “AAAH” já está fora do alcance dos meus sentimentos. O que eu sinto? Cansaço, dor e aquele incômodo da indecisão. Penso que posso deitar e ficar… naquela posição, naquele espaço, no momento que for. O dia escurece e permaneço. Para ajudar a distração, me concentrei em um livro. No fundo, não tenho certeza que tenha sido a melhor escolha. Um ótimo livro, intenso, romântico, divertido. Uma personagem com a qual me identifiquei, um protagonista pelo qual também me apaixonei. Uma situação que gostaria de viver… Um Dia.

Troco de posição, enxugo as lágrimas do final do livro. Me olho no espelho com aquelas grossas olheiras que dizem que você não está bem, fazem aquela tradicional queda da cabeça pro lado e pensam “coitada”. Me troco, saímos. Sorrio o tempo todo, mesmo estando despedaçando por dentro. Eu preciso de ar, de tempo, de solidão, preciso de um guia, uma luz ou só mais uma bebida. Voltamos pra casa dançando o que está no rádio, eu dou risada de vocês, mas a dança que tanto me animou no passado já não passa de mais uma frustração do futuro; e vocês estão fazendo errado, a coreografia não é essa.

Entro em casa e releio a mensagem que mandou: “I am Jack’s broken heart”. No rádio toca uma antiga compilação de músicas intitulada delicadamente de “Into the ocean”. O único lugar que queria estar. Longe, com o som das ondas, a brisa e o luar. E talvez você. Por que é tão difícil? Agora, mais do que nunca, aquela merda de filme “10 Coisas que odeio em você” faz mais sentido do que nunca. Só não listo as coisas que odeio em você porque cada uma me faz lacrimejar de saudade e não enxergo o papel. Tento listá-las na cabeça, olhos fechados. Por que estou me torturando dessa forma? Eu tomei uma decisão, seja forte. Dê tempo ao tempo, é recente, é normal ter essa “bad”, eles dizem. Eu não estou achando isso normal, legal ou natural. Eu preciso de ar.

Abro a janela, me sento no parapeito e olho o céu. Uma leve brisa ainda me acaricia, mais um gesto de pena, uma tentativa vã de conforto emocional. Assisto o tempo passar, de novo. Ontem fingi estar no telefone por 40 minutos, só para sair dos sorrisos e conversas da mesa e fazer companhia para meus pensamentos. Andamos uma maratona em um espaço de 5 metros, indo e vindo sem sentido, sem compasso, repasso ou ensaio. Não estar em casa, em um lugar sujo, escuro e abandonado parecia combinar comigo de todos os jeitos. Eu precisava de ar. Eu precisava de um guia, uma luz ou ou só tirar essa bola de sentimentos que me puxa pra baixo, essa coisa que se instalou entre meu peito e meu umbigo. Uma coisa que arde quando mencionam você. Uma coisa que pulsa quando penso em nós. Uma coisa que pesa quando penso em mim, como sou egoísta. Aperto a barriga.

Com licença, eu preciso de ar.

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