Eu acho que tudo bem

28 dez

[79-365D] Yellow-shadow

Esses dias  eu conversava com uma pessoa e ela me chamou de artista. À princípio fiquei feliz, perguntei por quê e ela disse que eu era contraditória como um artista e pensava nas palavras antes de dizê-las e buscava profundas interpretações em coisas banais. A conversa veio e foi, mas isso não saiu da minha cabeça.

Hoje terminei de ler As Vantagens de ser invisível. No meio, li uma passagem que me fez rir e iluminou alegremente meu pensamento (desculpa, mas é meio longa):

“Depois ele me deu outro livro para ler. Chamava-se Naked Lunch.

Comecei a ler quando cheguei em casa e, para dizer a verdade, não sei do que o cara está falando. Nunca disse isso ao Bill. Sam me disse que William S. Burroughs escreveu o livro quando usava heroína e que eu devia ‘seguir o fluxo’. Então foi o que eu fiz. Ainda não tenho a menos ideia do que ele estava falando, e então desci as escadas para ver televisão com minha irmã.

O programa era Gomer Pyle, e minha irmã estava muito quieta e mal-humorada. Tentei conversar com ela, mas minha irmã me disse para calar a boa e deixá-la em paz. Então assisti ao programa por alguns minutos, mas fazia ainda menos sentido para mim do que o livro e decidi fazer meu dever de matemática, o que foi um erro, porque matemática nunca fez sentido para mim.

Fiquei confuso o dia todo.

Então tentei ajudar minha mãe na cozinha, mas deixei cair uma panela e ela me disse para ir ler em meu quarto até meu pai chegar, mas foi a leitura que tinha começado com toda aquela confusão. Por sorte, meu pai chegou em casa antes que eu pegasse o livro de nov, mas ele me disse para parar de “me aboletar nos ombros dele como um macaco” porque ele queria ver o jogo de hóquei. Vi o jogo com ele por algum tempo, mas não conseguia parar de fazer perguntas sobre os países de origem dos jogadores (…). Então me disse para ver televisão com minha irmã, o que eu fiz, mas ela me disse para ajudar minha mãe na cozinha, o que eu fiz, mas ela me disse para ler em meu quarto. E foi o que eu fiz.

Já li cerca de um terço do livro e até agora está muito bom.” (CHBOSKY, Stephen. As Vantagens de ser invisível. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. p. 117-118)

E o final, sabe o que concluí? Que tudo bem. Tudo bem em ser confusa e contraditória pois, por mais que tentamos nos livrar destas características, elas fazem parte de nós e dos momentos que vivemos. E precisamos passar por elas para conseguir ver soluções e coisas “muito boas”.

Não acho que ser contraditório é ruim, demonstra falta de personalidade ou que ficar “em cima do muro” seja errado. Talvez a contradição só exista por não sabermos escolher, pelo menos não no momento, o que é o certo (se existe o certo). O que quero dizer é: todos já se encontraram em uma situação na qual gostariam de responder Sim e Não ao mesmo tempo. São opostos, mas por que não complementares? Coração e razão, rotina e liberdade, o longe-real e o perto-virtual.

Eu busco várias perspectivas, sempre. E talvez esqueça ou tenha medo de escolher uma única. Mas isso não significa que eu não “corra pelo certo”, ou ao menos para o lado certo. Acho que significa que estou sendo eu mesma. E não ligo em ser confusa, acho que tudo bem. Sei que isso não é muito aceito no mundo acadêmico, pelo menos não pleiteio uma vaga de mestrado por um tempo. Eu só quero meu diploma e resolver minha confusão. Vivê-la a ponto de encontrar algo “muito bom” pelo qual valha a pena. Nesse meio tempo vou buscar ser eu mesma. E se for contraditório e confuso, tudo bem. Talvez mais alguém em chame de artista por aí, daí vou sorrir achando que talvez tenha sido a coisa mais doce que já disseram. E se não for, tudo bem.

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3 Respostas to “Eu acho que tudo bem”

  1. Carissa 29 de dezembro de 2012 às 7:53 pm #

    O ser humano, em essência, é contraditório. Pelo menos é o que eu acho. Por mais que a gente sempre se diga bem resolvida, a sempre sempre tem contradições dentro de nós.
    Amo “As vantagens de ser invisível”.

    Beijos!

    • anapalombo 29 de dezembro de 2012 às 9:26 pm #

      Exato. E eu acho que tudo bem mostrarmos esse lado interior às vezes. Obrigada pela visita, Carissa.
      Beijo!

Trackbacks/Pingbacks

  1. As vantagens de ser invisível « Um journal de sorrisos - 13 de janeiro de 2013

    […] e em seguida para sorrir de novo, pensar, ficar pensativa (uns pensamentos até extravasaram para esse post) e ainda sentir gosto de traição ao pensar em começar outro livro. Tudo o que um livro deve […]

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