Sentimento de velhice

26 out

No último episódio de New Girl, o meu personagem favorito, Nick, disse algo que me fez pensar: “Eu fico feliz de estar envelhecendo, sinto que finalmente vou atingir a idade da minha personalidade”.

Eu sei que envelhecer assusta. Ainda mais naquela fase da vida de sair dos “estudos” e daqueles grupos de amigos para enfrentar um trabalho e as tais coisas de “gente grande”. Se tornar adulto é algo que não desejamos muito, só o nome “adulto” já parece chato e carregado de categorias de classificação que os jovens fogem, como rotina, responsabilidade, cansaço, stress, dinheiro (que criança consegue guardar dinheiro?). Mas, infelizmente para uns, o tempo social passa para todos e quando vemos, já temos 21 anos, estamos no fim da graduação e enfrentando, na linha de ataque, a monografia e a pergunta “E agora?!”.

Espera aí, não façamos deste um blablablá rotineiro das preocupações semi-adultas. Minha questão é outra, o sentir-se “velho”.  Primeiramente, vamos definir o que caracteriza esse sentimento. Acredito que ele só existe para mim, com essa idade, porque existe a oposição do ser jovem. E o que é então um jovem de 21 anos na faculdade? O jargão de resposta seria: festa, bebida, engenheiros, muitos sorrisos,  falsas amizades, repúblicas, vermelho e amarelo (vermelho e amarelo são as cores das faculdades “rivais” da cidade UFSCar e USP, respectivamente). Então, se eu, que estou na faculdade, não cumprir o protocolo e não for dessas meninas que vão muito em festas, não beber, não curtir obcecadamente engenheiros, ter poucas amizades na faculdade e viver ainda na minha casa, na minha cidade, serei o quê? “Velha”.

Minhas amigas diziam que eu não ia ter o que contar para os meus filhos, como se todas as histórias mais incríveis viessem das festas e dos amigos da panelinhas da faculdade. Elas me chamam de velha porque prefiro cores pastéis, adoro marrom e sempre tenho frio; porque prefiro ir em um café à meia luz tomar capuccino e apreciar as companhias do que ir à um bar apinhado de gente assistir a luta no sábado a noite; porque prefiro acordar cedo e fazer piquenique no parque à ir na balada que toca sertanejo universitário. Eu sei, soa até ridículo falar que não gosto de nada disso, todos gostam de um pouco de festa. Mas meu ponto não é esse. Eu já tive momentos de U-HUL na minha vida, e aproveitei cada segundo. Agora, nesses anos de faculdade, estou fazendo um pouco do caminho inverso, um caminho mais… introspectivo, talvez. E, sinceramente, eu gostei do resultado final.

Descobri tanta coisa sobre mim mesma nesse tempo, fiz tanta coisa diferente e aleatória, ampliei de tal forma meu horizonte e minhas formas de ver o mundo que ir em 300 festas em 4 anos não fariam. A maturidade do fígado nem se compara a maturidade do eu, e um eu ainda diferente do que o eu que se mostra para os outros, aquele tal do self, do Eu que só você vê e constrói continuamente. Enfim, acho que construí alguma base de auto-conhecimento.

Portanto, eu queria dizer que gosto de ser velha. Vou continuar mandando e-mails para meus amigos fazerem reuniões de Natal para manter a tradição, vou permanecer com meu quarto no estilo rústico, vou continuar rabugenta, não amando a Apple e criticando o Facebook por virtualizar nossas relações. Me desculpem por ser assim, chata e arrogante. Mas se somos amigos, irmãos, namorados ou alguma outra coisa que implique que compartilhamos de um sentimento afetivo mútuo, basta fazermos um acordo: me deixa ser quem sou e seja quem tu és. Se tiver uma festa e quiser me chamar, me chame! Tudo o que vier depois de um “não” é lucro, não é? No máximo vamos acabar no cinema assistindo aquele filme de ação que você adora e eu nem queria ver…

A.

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4 Respostas to “Sentimento de velhice”

  1. Micaelle Morais 27 de outubro de 2012 às 3:47 am #

    Adorei o post, pq eu sou assim também e adoro ser do jeito que sou e infelizmente por o mundo de hoje ser tão ‘elétrico’, as pessoas julgam que todas têm de ser assim, e que não for, não é descolado kk eu acho que gostar de lugares tranquilos, um bom livro, uma pessoa querida ao lado que várias ao redor é muito mais gratificante. Enfim, o importante é cada um ser feliz da maneira que se sente bem, e mais ainda, não julgar o modo de ser de ninguém né?

    • anapalombo 27 de outubro de 2012 às 3:49 am #

      Exatamente, Mica! Comecemos um movimento pró-velhice de sentimento, haha. :)

  2. lacinhodecetim 29 de outubro de 2012 às 6:25 pm #

    Acho que tudo que vc escreveu é comum a todas as pessoas. Ótimo post! :)

    • anapalombo 29 de outubro de 2012 às 6:40 pm #

      Obrigada, creio que parte de nós sempre pensa assim.. As vezes a gente só não escuta. :*

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